Contrariando a tendência histórica de queda no consumo e nos preços no início do ano, o
O principal indicador dessa pressão é o encurtamento das escalas de abate. Atualmente, a média nacional está em 7,8 dias, o menor patamar para o mês de janeiro desde 2021. Para efeito de comparação, em dezembro de 2025, o prazo médio de programação das indústrias superava os 14 dias.
Retenção no pasto e demanda externa
Pesquisadores do Cepea explicam que as boas condições das pastagens neste ano têm dado ao pecuarista um maior poder de barganha. Com pasto disponível, o produtor consegue segurar os animais no campo por mais tempo, aguardando ofertas melhores, o que limita a oferta imediata para os frigoríficos.
Além disso, dois fatores têm sido cruciais para manter os preços elevados:
- Demanda Externa: As exportações continuam em ritmo acelerado.
- Consumo Interno: Apesar do período de férias e gastos extras das famílias (como IPVA e material escolar), o consumo doméstico tem demonstrado resiliência.
Cotações atuais
Na parcial deste mês, o Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ tem operado na casa dos R$ 319,00. No atacado da Grande São Paulo, o reflexo é direto na carcaça casada bovina, que registra média de R$ 23,00 por quilo para pagamentos à vista.
O cenário aponta para um primeiro trimestre de margens apertadas para a indústria, mas de preços sólidos para a ponta produtora, consolidando um ciclo de valorização que desafia a tradicional calmaria de janeiro.