Acordo com UE deve elevar exportações de carne bovina brasileira em até 7%

Mesmo com restrições do mercado chinês, Abiec projeta estabilidade nos embarques em 2026, apostando na abertura de novos mercados e na cota europeia

Brasil terá direito a cerca de 41,6 mil toneladas (42%) da cota

O setor pecuário brasileiro recebeu com otimismo moderado a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE). Segundo Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o tratado deve permitir um incremento de 5% a 7% no volume de carne bovina exportada para o bloco europeu.

Em coletiva realizada nesta segunda-feira (19), Perosa detalhou que o Brasil terá direito a cerca de 41,6 mil toneladas (42%) da cota de 99 mil toneladas sem tarifação compartilhada entre os países do Mercosul. No entanto, o benefício deve ser sentido apenas em 2027, devido à necessidade de aprovação nos parlamentos internacionais e à previsão de liberação gradual das cotas.

“Não é um volume tão grande, mas traz um impacto positivo na balança para nós”, avaliou o presidente da Abiec. Em 2025, o Brasil enviou 128 mil toneladas de carne para a UE, tendo como principais destinos Itália, Países Baixos, Espanha, Alemanha e Bélgica.

Projeções para 2026: resiliência frente ao mercado chinês

Apesar da novidade europeia, a Abiec projeta que as exportações totais de carne bovina devem permanecer estáveis em 2026. A estimativa é de que os embarques fiquem entre 3,3 milhões e 3,5 milhões de toneladas, patamar semelhante ao recorde de 3,5 milhões de toneladas alcançado no ano passado.

O grande desafio para este ano é o posicionamento da China, principal parceira comercial do Brasil. O governo chinês impôs medidas protecionistas para fortalecer sua indústria local, o que restringe o acesso de exportadores estrangeiros. No ano passado, a China foi responsável por quase metade das compras de carne bovina brasileira.

Diversificação de mercados

Para compensar a possível redução no ritmo chinês, a estratégia das indústrias — que incluem gigantes como JBS, Marfrig e Minerva — é o redirecionamento de estoque e a abertura de novas fronteiras:

  • Sudeste Asiático: Recentemente, o Brasil obteve autorização para exportar para o Vietnã.
  • Negociações em curso: Há esforços diplomáticos e técnicos para acessar os exigentes mercados do Japão e Coreia do Sul.
  • Expansão: O setor busca ampliar as vendas para as Filipinas e Indonésia.

Brasil no mercado global de carnes

IndicadorDados 2025Projeção 2026
Volume Total Exportado3,5 milhões t3,3 - 3,5 milhões t
Exportações para UE128 mil tExpectativa de alta (5-7%)*
Principal CompradorChina (50% do total)Diversificação em curso
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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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