A entrada da nova safra de café revelou um grave esgotamento na infraestrutura portuária brasileira. O aumento nos atrasos de navios e rolagens de cargas em setembro causou um prejuízo de R$ 8,991 milhões para os exportadores associados ao Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) apenas com armazenagem adicional, pré-stacking e detentions.
O valor representa o custo extra gerado pela impossibilidade de embarcar 939.494 sacas de café (o equivalente a 2.848 contêineres). Segundo o Cecafé, este foi o terceiro maior desfalque financeiro registrado no histórico do levantamento da entidade.
O volume de café que não conseguiu embarque impediu que o país recebesse US$ 348,29 milhões (cerca de R$ 1,869 bilhão) em receita cambial no mês.
Atraso de navios eleva prejuízos de exportadores com nova safra de café
Mais de 1,5 mil contêineres de café ‘encalhados’ causam prejuízo bilionário ao Brasil Exportadores de café têm prejuízo de R$ 5,9 milhões com carga não embarcada em agosto Crise nos portos impede exportação de 453 mil sacas de café em junho
Urgência por investimentos e leilão de Santos
Diante do cenário crítico, o setor exportador pede por investimentos urgentes e pela ampliação da capacidade de carga nos portos.
O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, alertou que a lentidão em destravar entraves burocráticos, como a realização do leilão do Tecon Santos 10, está ampliando os prejuízos e impactando a receita de produtores:
“Para que o cenário não se torne ainda pior, é necessária a ampliação da oferta da capacidade de carga e a diversificação de modais de transporte, além de investimentos em infraestrutura e acessos nos portos, com urgência! Enquanto entraves burocráticos existirem, os exportadores terão prejuízos ampliados, e o Brasil deixará de receber bilhões em receita”, analisou Heron. Em razão disso, o Cecafé e a Associação Logística Brasil (ABL) emitiram um comunicado cobrando agilidade no leilão do Tecon Santos 10, exigindo que ele seja realizado com ampla concorrência, sem restrições de participantes.
Embates no TCU: restrição causa controvérsia
A controvérsia está associada à proposta da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) de limitar a participação de interessados no certame, sugerindo um leilão em duas fases e vetando operadores que já atuam no Porto de Santos.
No entanto, um relatório da Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária (AudPortoFerrovia), do Tribunal de Contas da União (TCU), apontou que a decisão da ANTAQ de restringir a participação desrespeita os princípios constitucionais da ampla concorrência.
O relatório da Auditoria do TCU classificou a restrição como “ilegal”, baseada em “riscos e premissas hipotéticas”, e defende que o leilão do Tecon Santos 10 seja realizado em fase única e sem restrição de interessados.
O Cecafé reforçou o alinhamento com a unidade técnica do TCU, questionando a decisão da ANTAQ: “O que justifica manter tal impedimento a grandes e experientes operadores, que podem atender com eficiência às cargas? A quem se pretende beneficiar com tais restrições?”, disse Heron.
O setor exportador, incluindo exportadores de açúcar, algodão e celulose, une-se ao Cecafé na defesa de um leilão irrestrito para garantir logística eficiente e destravar o Porto de Santos o mais breve possível.