Apesar de crédito em queda e tarifaço no café, agro mineiro bate recorde em 2025

Produção leiteira foi apontada como ponto negativo do balanço de 2025 nesta terça-feira (16), na sede do Sistema Faemg Senar

Vice-presidente de Finanças da Faemg, Renato Laguardia; Antônio de Salvo, presidente da Faemg e Rafael Rocha, gerente de agronegócio

Apesar da retração no crédito rural e dos impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao café, o agronegócio mineiro encerrou 2025 com recorde histórico de exportações. O setor movimentou US$ 18,10 bilhões, alta de 13% em relação a 2024. Os dados fazem parte de um balanço divulgado pelo Sistema Faemg na manhã desta terça-feira (16).

O café liderou as exportações, respondendo por 56,1% do total. Foram US$ 10,15 bilhões em vendas externas e 24,8 milhões de sacas exportadas. Segundo o presidente do Sistema Faemg, Antônio de Salvo, o tarifaço norte-americano impactou o setor, mas não impediu o bom desempenho.

“O tarifaço foi como um engarrafamento na estrada. Atrapalhou o café por dois ou três meses”, afirmou.

O complexo de soja representou 15,6% das exportações do agronegócio mineiro. A soja em grãos se destacou, com US$ 2,82 bilhões e cerca de 7 milhões de toneladas exportadas, principalmente para a China.

Minas é destaque

Minas Gerais respondeu por 11,7% das exportações do agronegócio brasileiro, ocupando a terceira posição no ranking nacional, atrás de Mato Grosso e São Paulo e à frente de Paraná e Rio Grande do Sul. Ao todo, 177 países receberam produtos agropecuários mineiros. A China é o principal destino, seguida pelos Estados Unidos.

Na pecuária, os resultados também foram positivos em alguns segmentos. A carne suína registrou crescimento de 17,2%, enquanto os setores de aves e carne bovina também apresentaram alta, mesmo diante dos impactos da gripe aviária.

Produção leiteira e crédito em alerta

O principal ponto negativo foi a pecuária leiteira, que enfrenta a maior crise dos últimos 50 anos. Apesar do crescimento de 4,3% na captação, a entrada de leite em pó importado derrubou os preços pagos ao produtor, com nove quedas consecutivas ao longo do ano.

“Minas tem cerca de 220 mil produtores de leite sofrendo com a importação de leite em pó do Uruguai e da Argentina, vendido pela metade do preço praticado nesses países. Isso é dumping, é comércio desleal”, criticou Antônio de Salvo.

Apesar do sucesso nas exportações, o setor produtivo mineiro também enfrenta um cenário de restrição severa no crédito rural. De julho a outubro de 2025, o valor contratado em Minas Gerais somou R$ 20,41 bilhões, uma retração de 16% em comparação com o mesmo período de 2024.

“A parte do seguro agrícola precisa ter uma atenção. Essa redução acende um sinal de alerta para o futuro. Talvez não para a próxima safra, mas é preciso entender o que está provocando essa queda no crédito dos produtores”, concluiu o presidente da Faemg.

A queda reflete uma cautela generalizada no país, motivada pela alta na taxa de juros, aumento da inadimplência (que chega a 11% no Brasil) e o maior rigor das instituições financeiras na liberação de recursos e renegociação de dívidas.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV’s, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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