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Cresce produção de uvas destinadas à fabricação de vinhos no Estado; entenda

Aumento da produção, clima e técnicas adequadas favorecem a fabricação de vinhos no inverno; safra ultrapassa 2 mil toneladas/ano; Minas já conta com pelo menos 58 vinícolas

Apesar de ainda encontrarem dificuldade de aceitação em pontos de venda e em ser inseridos em cartas de restaurantes do país, os produtores de vinho do Estado não desanimam. Segundo levantamento da Emater-MG, desde a safra de 2022, a colheita de uva destinada à produção de vinhos ultrapassa 2 mil toneladas da fruta por ano.

A expectativa de produção esse ano é de aproximadamente 2,5 mil toneladas, a maior já registrada nos últimos dez anos. A área plantada em Minas é de 403 hectares, sendo que 66,5% deste total já estão produzindo. Os municípios com maior produção de uva destinada aos vinhos finos são: São Gonçalo do Sapucaí, Caldas e Andradas, todos na região Sul.

O que os motiva são as premiações nacionais e internacionais. A Vinícola Maria Maria, em Boa Esperança, por exemplo, já recebeu uma medalha de prata e outra de bronze, este ano, no concurso britânico International Wine Challenge, um dos mais renomados do mundo.

A vinícola Estrada Real, em Caldas, também no Sul de Minas, é outra que acumula prêmios. Entre eles, o de melhor vinho Syrah brasileiro na Wines of Brazil Awards de 2020.

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Inverno seco, com amplitude térmica acentuada é bem-vindo

De acordo com o coordenador de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, a produção de vinhos finos em Minas Gerais se diferencia do sul do país porque é possível colher a uva durante o inverno em condições ideais para fabricar a bebida.

“Temos um inverno seco, com amplitude térmica acentuada entre o dia e a noite. Um clima que se assemelha ao do período da colheita da uva na França, grande produtora de vinho. Essas características permitem obter um brix adequado, que é o teor de açúcar da uva. No Sul do país, produzir vinho no inverno não é comum, porque a estação por lá tem temperaturas muito baixas e é úmida”, explica Deny.

Outro fator fundamental para a produção do vinho de inverno em Minas é a técnica da dupla poda. Neste sistema, as plantas são podadas em julho e agosto, quando os cachos são retirados logo que começam a se desenvolver. Em janeiro, é feita uma nova poda. Desta vez, os cachos são mantidos até atingirem o ponto ideal de maturação. As duas podas anuais permitem a inversão do ciclo da videira, com o período de colheita da uva acontecendo no inverno.

Técnica surgiu de uma tese de doutorado

O método, trazido da Europa, foi adaptado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). A prática começou a ser testada no início da década de 2000, quando o então pesquisador da empresa, Murillo de Albuquerque Regina, retornou de seu doutorado na França, onde avaliou que as condições necessárias para se produzir uvas sadias e aptas para a obtenção de vinhos finos eram bastante semelhantes às características do inverno na região do Sul de Minas.

“Ainda existe uma dificuldade de inserir os vinhos mineiros em pontos de venda e em cartas de restaurantes do país. Ou seja, a promoção desses vinhos ainda é um grande desafio e o trabalho de divulgação e marketing é essencial. Temos condições de clima e solo, uma técnica de produção bem adaptada e potencial para competir em qualidade com vinhos produzidos no Sul do país, no Chile e Argentina”, afirma.

(*) Com informações da Emater-MG


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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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