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Dia do apicultor: conheça a bailarina que trocou os palcos pela produção de mel e própolis

Tânia Tamietti era bailarina do Palácio das Artes, mas se apaixonou pela apicultura e acabou envolvendo toda a família na atividade

Tânia Tamietti já foi bailarina do Palácio das Artes, personal trainer e fisioterapeuta. Há três anos mudou radicalmente de ramo ao se deparar com três caixas de abelha que haviam sido abandonadas pelo antigo caseiro do sítio da família em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Ela conta que já gostava do universo das abelhas e, como é movida a desafios, decidiu correr atrás de qualificação para produzir mel, profissionalmente. De início, buscou informações na internet. Até que, um dia se deparou (de novo, casualmente) com uma aula do curso de apicultura do Senar Minas. “Eu parei na porta da sala de aula e não conseguia sair, tamanha era a riqueza das informações”, rememora.

O resultado é que ela fez outros três cursos da mesma instituição e acabou ‘contaminando’ toda a família com seu encanto pelas abelhas. Seu esposo prepara-se para passar a direção de sua empresa, no ramo automotivo, para o filho mais velho do casal. Sua intenção é também dedicar-se, inteiramente, à apicultura.

Unida, a família montou também uma distribuidora de produtos apícolas - a Elitizare Miele - onde comercializa mel e seus derivados. “Estamos felizes, trabalhando juntos. Mas reconheço que não é qualquer pessoa que dá certo na atividade. Tem que gostar. É um trabalho exaustivo e árduo. Você leva ferroada mesmo com a roupa própria e dói muito. O que compensa é poder oferecer um produto de qualidade e que propicia mais saúde para as pessoas”, conta Tânia que, nesse Dia do Apicultor, se sente realizada e orgulhosa de sua atividade.

Atualmente, ela e a família produzem entre 600 a 800 quilos de mel por ano. A apicultora é atendida pela Emater-MG, e participa da Associação de Meliponicultores e Apicultores do Médio Paraopeba e Região (AmamP). Entre os planos da família, estão o de fazer uma Casa do Mel própria lá em São Joaquim de Bicas, obter o selo SIF (Serviço de Inspeção Federal) e, quem sabe, conseguir exportar. “Acho que esse é o sonho de todo apicultor”, disse Tânia.

Novos mercados com exportações para vários países

De acordo com a Emater-MG, a atividade está presente em todo o estado de e, nos últimos anos, conquistou novos mercados com exportações para vários países. Em 2023, a produção média de mel no Estado foi de 7,11 mil toneladas em Minas Gerais. A maior parte dos produtores está inserida no contexto da agricultura familiar, que é responsável por cerca de 80% da produção de mel e aproximadamente 70% da produção de própolis.

Mas (com o perdão do clichê) nem tudo são flores. Os apicultores mineiros enfrentam dificuldades como:
a desorganização da cadeia produtiva, a sazonalidade da demanda e o trabalho com as abelhas, propriamente dito, que exige capacitação e resiliência para, de vez em quando, lidar com as ferroadas… Sim, elas são inevitáveis…e, às vezes, acontecem.

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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