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Dia Mundial do Café: conheça versões da bebida que incluem até cocô e cuspe de animais

Café servido com queijo feito com leite de vacas recém-paridas, café com cocô de ave ou de um mamífero exótico, com o grão cuspido por macacos… tem café de tudo quanto é jeito. E você? Animaria uma provadinha?

Em cada lugar do mundo existe uma tradição diferente relacionada ao consumo de café. Muito além do açúcar e do leite, há quem goste de se aventurar nas combinações…. No Dia Mundial do Café convidamos Gilmar Cabral, que é Q-grader, árbitro Internacional BSCA; 1º presidente da Associação Brasileira de Classificadores e Degustadores de Café e instrutor do Senar Minas nos cursos de classificação e degustação de café, cafés especiais, torra de café, barista e comercialização, para comentar sobre sua experiência com os oito cafés mais exóticos que ele já provou.

Confira a o resultado:

Expresso romano

Esse é o mais ‘normal’ da lista. Seu método resulta num café mais encorpado, de sabor mais forte que os tradicionais cafés coados. E na versão romana, a rodela de limão traz um ‘Q’ a mais de sabor. Fica bem bom.

Kopi Luwak

Café incrível! O melhor que já provei na vida! Vale muito a experiência! Também conhecido como Café Civeta, ele é produzido na Indonésia e nas Filipinas com grãos extraídos das fezes da Civeta, um mamífero que vive em florestas tropicais. O sabor exótico deve-se às enzimas e bactérias da Civeta, acumuladas durante o processo de digestão da semente, que passa intacta pelo sistema digestivo do animal. Na Inglaterra, uma xícara de Kopi Luwaki chega a custar 50 libras esterlinas, o equivalente a pouco mais de R$ 310.

Café Vietnamita

No Vietnã, esse café é tão tradicional como o nosso café com leite, só que eles servem beeem quente e acrescentam leite condensado e uma gema de ovo. Normalmente é servido logo após o almoço, como uma sobremesa. A presença da gema é bem peculiar. Eles fazem quase uma “gemadinha de café”. É um hábito! O resultado é muito bom!

Kaffeost

Bebida super popular na Finlândia, esse café é servido com um pequeno cubo de queijo no fundo da xícara. Mas não é qualquer queijo. É o Leipäjuusto, feito a partir do leite de vacas recém-paridas. De acordo com a Organização Internacional do Café, a Finlândia lidera o ranking de maiores consumidores de café no mundo.

Café de Olla

Esse tradicional café mexicano é servido em um recipiente de argila, que faz com que a bebida tenha sabor distinto. Além disso, são acrescentados à receita um pouco de canela e piloncillo, doce feito de cana-de-açúcar, semelhante à nossa rapadura. Esse eu nunca provei, mas me desperta curiosidade, principalmente pelo tipo de recipiente em que ele é servido.

Café do Jacu

Esse é bem brasileiro e, diga-se de passagem: pra lá de exótico! Produzido com o grão de café excretado nas fezes do Jacu, uma ave de grande porte, comum em áreas florestais. O segredo é que, depois de ingerido e excretado pela ave, o grão adquire um sabor menos ácido e mais exótico. Um quilo do grão do café de Jacu custa pouco menos de R$ 300. Esse eu tive a oportunidade de tomar algumas vezes e sempre me traz muito prazer sensorial! É um café muito cremoso!
Qualquer semelhança com o Kopi Luwaki não é mera coincidência. Os produtores do café do Jacu se inspiraram na ideia no café feito com as fezes da Civeta, após uma viagem à Indonésia.

Café de Elefante

Esse também é exótico, feito a partir de ingredientes processados pelos aparelhos digestivo e excretor dos elefantes, uma iguaria! A ideia foi de um canadense que mora na Tailândia. Ele criou o Black Ivory Coffee, produzido a partir de grãos de café, colhidos das fezes dos 20 elefantes que ele mesmo cria em sua propriedade. Um quilo do grão custa, aproximadamente, R$ 2,2 mil e uma xícara da bebida não sai por menos de R$ 100.

Café de Zhang

Produzido na Vila de Zhanghu, em Taiwan, essa bebida é produzida a partir de grãos cuspidos por macacos. Isso mesmo! Tudo começou quando o produtor da bebida percebeu que pequenos primatas invadiam sua fazenda e mastigavam a casca suculenta da fruta e depois cuspiam o grão intacto. Irritado com a presença dos animais que ele considerava uma praga, ele teve a ideia de produzir a bebida com o grão de café cuspido. Deu certo! Hoje, ele fatura cerca de R$ 400 por quilo do grão. Mas esse eu não teria coragem de beber! A saliva fermenta o café e deve provocar um gosto estranho…. Aí pra mim, já é demais!

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Maria Teresa Leal é jornalista, pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação pela PUC Minas. Trabalhou nos jornais ‘Hoje em Dia’ e ‘O Tempo’ e foi analista de comunicação na Federação da Agricultura e Pecuária de MG.



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