Após ameaça de interrupção no fornecimento, Prefeitura de Ipatinga nega interrupção de alimentação na UPA e hospital

Empresa contratada alega dívida de aproximadamente R$ 4 milhões e alerta para risco de interromper a alimentação da UPA e hospital

Empresa contratada alega dívida de aproximadamente R$ 4 milhões e alerta para risco de interromper a alimentação da UPA e hospital

A empresa Palato notificou a Prefeitura de Ipatinga nesta semana sobre um atraso de aproximadamente quatro meses nos pagamentos pelos serviços de alimentação prestados ao Hospital Municipal Eliane Martins e à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas. Segundo a empresa, o valor em aberto gira em torno de R$ 4 milhões, situação que gerou apreensão diante da possibilidade de interrupção no fornecimento de refeições nas unidades de saúde.

Diante do cenário, a Palato comunicou oficialmente o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ipatinga (Sintiserp), conforme detalhou a presidente da entidade, Marlene Silvestre. “Nós estamos passando aqui para cobrar uma postura da da prefeitura, uma posição da prefeitura. A prefeitura tem que resolver isso, gente. A gente não pode ficar assim não, ué. Isso não é função do sindicato, não é função nossa se meter em contra da prefeitura. Mas quando se diz respeito a alimentos de funcionários que estão lá trabalhando 12 horas, tanto de dia quanto de noite, funciona 24 horas por dia, final de semana chega sábado e domingo. Pelo que me falaram, amanhã se encerra as atividades. E aí, como vamos fazer? Vamos dar uma resposta prefeitura. Eles [empresa] já comunicaram o Ministério Público de Minas Gerais, a prefeitura, já encaminharam o ofício para todos esses lugares, que eles não têm condições de manter esse serviço. E aí, como que a gente fica? Como vai ficar o serviço? O serviço vai parar?”, afirmou.

Conforme o sindicato, caso a regularização não ocorresse até sexta-feira (30), poderia haver suspensão parcial ou redução gradual do fornecimento de refeições aos servidores municipais, sem impacto no atendimento aos pacientes.

Em nota enviada à Itatiaia, a Prefeitura de Ipatinga informou que os serviços de alimentação da UPA e do Hospital Municipal Eliane Martins continuam funcionando normalmente, sem qualquer interrupção ou prejuízo a pacientes e servidores. “Não há registro de desabastecimento ou falhas na prestação do serviço. A empresa terceirizada responsável mantém o cumprimento integral do contrato, conforme relatórios técnicos das equipes de Nutrição e da Gerência Administrativa”, destacou a administração municipal.

O governo local acrescentou que a empresa terceirizada mantém o cumprimento integral do contrato, conforme relatórios técnicos das equipes de nutrição e da gerência administrativa. De acordo com ofício encaminhado ao sindicato, a Palato é a responsável pela prestação contínua dos serviços de alimentação aos servidores lotados no Hospital Municipal e na UPA, incluindo lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e lanche noturno.

Já a empresa afirma que os atrasos nos pagamentos tiveram início em outubro de 2025 e que os valores em aberto superam R$ 2,5 milhões. Com a inclusão do mês de dezembro, referente ao Hospital Municipal, o montante informado chega a R$ 3,7 milhões.

Por outro lado, a Prefeitura de Ipatinga esclareceu que existe um pleito administrativo da empresa relacionado a atrasos pontuais de pagamento, decorrentes da transição técnica do início do exercício financeiro de 2026. Segundo a administração, o trâmite segue os prazos legais e os procedimentos de controle e auditoria previstos em lei.

A Palato também declarou que o fornecimento de alimentação aos pacientes do Hospital Municipal seria mantido integralmente e que eventual suspensão ou limitação atingiria apenas as refeições destinadas aos servidores. A empresa informou ainda que realizou diversas tentativas de solução, por meio de ofícios, pedidos de reunião e contatos presenciais.

Além disso, a empresa menciona comunicações a órgãos como o gabinete do prefeito, a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério Público de Minas Gerais e as direções das unidades de saúde, além de indicar a intenção de adotar medidas judiciais. Entre os documentos apresentados, consta uma notificação extrajudicial criada no dia 5 de janeiro deste ano, com prazo para regularização da situação.

A Prefeitura de Ipatinga finalizou a nota afirmando que todas as providências administrativas já estão em andamento para regularizar a situação, sem impacto na continuidade do serviço.

Jefferson Rocha é jornalista graduado pelo Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais e tem 25 anos de experiência em rádio. É coordenador de jornalismo da Itatiaia Vale do Aço.

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