Nem tudo no
Conforme explica a otorrinolaringologista Stela Maris Cuevas ao portal Infobae, cada pessoa possui um cheiro natural próprio, moldado pela genética, pelos hormônios, pela biologia e pela microbiota da pele. Esse odor individual funciona como uma espécie de identidade química única. É ele que pode despertar atração ou rejeição no outro e, dentro da vida a dois, ajuda a construir a intimidade.
O sistema ligado ao olfato tem conexão direta com o sistema límbico, região do cérebro que abriga o hipocampo, associado à memória, e o hipotálamo, onde se manifestam emoções e instintos. Por isso, os cheiros não passam por análise racional. Eles chegam de forma imediata e autêntica, influenciando silenciosamente os vínculos afetivos.
Outro elemento importante são os feromônios, substâncias químicas liberadas pelo corpo, presentes principalmente nas axilas, na região genital, perianal, na saliva e nas lágrimas, muitas vezes antes do ato sexual. Esses sinais químicos podem influenciar a atração, a compatibilidade e a formação de laços. Não determinam o amor, mas fazem parte de uma arquitetura invisível que contribui para a conexão entre duas pessoas.
Stela Maris Cuevas afirma que filósofos como Platão e Aristóteles já descreviam o desejo como uma das paixões da alma, uma inclinação em direção ao outro. No campo biológico, um cheiro agradável pode intensificar a libido e provocar efeitos como maior atração sexual, aumento do desejo, melhora do desempenho e ampliação da experiência íntima.
Portanto, de acordo com a especialista, entender o papel dos feromônios não significa reduzir o amor a uma simples reação química, mas reconhecer que a biologia também acompanha e sustenta os vínculos emocionais.
Por fim, a médica destaca que, quando o olfato é prejudicado por doenças, infecções virais, traumatismos, poluição ou hábitos nocivos, não se perde apenas a capacidade de sentir cheiros, também se enfraquece uma via essencial de conexão emocional.