Por que comer abacaxi pode deixar a língua ardendo ou formigando?
Fruto contém enzimas capazes de quebrar proteínas e também possui estruturas microscópicas que podem irritar a superfície da boca

O abacaxi é uma fruta bastante apreciada pelo sabor doce e ácido, mas algumas pessoas sentem uma espécie de pinicação, coceira ou ardência na língua depois de comer algumas fatias. A reação pode parecer estranha, principalmente porque acontece mesmo quando a fruta está fresca e aparentemente normal.
Uma das explicações está na bromelina, uma mistura de enzimas presente no abacaxi. Essas substâncias são capazes de quebrar proteínas, processo conhecido como ação proteolítica.
O Escritório de Ciência e Sociedade da Universidade McGill, no Canadá, explica que a bromelina pode atuar sobre proteínas presentes na camada protetora de saliva e da mucosa da boca. Com essa proteção alterada, a acidez natural da fruta pode contribuir para a sensação de irritação.
Existem outras estruturas envolvidas?
Sim. O abacaxi também pode conter pequenos cristais insolúveis de oxalato de cálcio, conhecidos como ráfides. Essas estruturas têm formato semelhante ao de agulhas microscópicas e podem contribuir para a irritação da mucosa oral.
A pesquisa científica ainda investiga a participação conjunta desses fatores. A sensação pode resultar da combinação entre a ação das enzimas, a acidez do fruto e o contato das estruturas microscópicas com os tecidos da boca.
Por que o abacaxi em conserva costuma provocar menos ardência?
O abacaxi enlatado ou cozido geralmente provoca menos irritação porque o aquecimento utilizado no processamento reduz a atividade da bromelina.
Isso não significa que toda reação depois de comer a fruta seja inofensiva. Se houver inchaço nos lábios ou na língua, dificuldade para respirar ou outros sintomas importantes, é necessário procurar atendimento médico, pois pode existir uma reação alérgica.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.






