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Dor e ardência ao urinar: entenda os sinais de alerta da infecção urinária

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Infecção urinária
from pain in stomach. • Foto: Freepik

A infecção urinária é uma ocorrência de saúde muito comum e, geralmente, de pouca gravidade. O problema ocorre quando a mulher apresenta sintomas, mas não busca auxílio médico. Isso pode levar à subida da bactéria para os rins, gerando pielonefrite, ou a uma infecção generalizada, chamada sepse, que pode levar a óbito. A sorte é que mais de 20% dos casos têm cura espontânea quando ainda localizados na bexiga.  

O mal-estar costuma ter início com sintomas muito característicos, tais como ardência, dor para urinar, aumento da quantidade de micções, sensação de que a bexiga não se esvazia adequadamente, dor na parte inferior do abdômen, urgência, sangramento discreto, urina turva ou com cheiro forte. 

O risco de agravamento acontece quando esses sinais são muito discretos e o paciente só percebe quando a infecção já atingiu os rins, o que pode levar a internações. Vale ressaltar que idosos e crianças muito pequenas não costumam apresentar os sintomas iniciais relatados. Nesses grupos, deve-se atentar para sonolência, alterações da consciência, inapetência e queda do estado geral.  

Desconfiar de gravidade se ocorrerem: 

  • Febre 
  • Náuseas e/ou vômitos 
  • Calafrios 
  • Dor nas costas  

Quais as causas da doença?
Na maior parte das vezes, as bactérias são as responsáveis, apesar de os fungos poderem gerar sintomas parecidos, quando há candidíase. Em cerca de 80% dos casos, a bactéria Escherichia coli é a responsável pelo quadro. Outras comuns são: Staphylococcus saprophyticus, Enterococcus faecalis, Proteus mirabilis e Klebsiella. As duas últimas fazem desconfiar da existência de pedra nos rins, que pode ser investigada por ultrassonografia.  

Como diagnosticar a doença?
Identificar uma infecção urinária é bastante simples através da coleta de uma amostra de urina, preferencialmente a primeira da manhã, após higienizar, desprezar uma pequena quantidade do líquido no vaso e armazenar o segundo jato. Desse material, é possível realizar os exames de urina de rotina e urocultura com antibiograma. Esses últimos identificarão qual bactéria está presente e a qual antibiótico ela é sensível.  

Se o quadro já atingiu os rins, pode ser necessário fazer exames de imagem de urgência em um hospital. 

Mulheres são particularmente mais vulneráveis a infecções na bexiga. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, isso ocorre porque possuem menor extensão anatômica da uretra e maior proximidade entre a vagina e o ânus. Já os homens costumam apresentar problemas quando há doenças da próstata associadas. 

Fatores de risco para infecção na bexiga: 

  • Ser mulher; 
  • Segurar a urina por longos períodos; 
  • Não ingerir quantidade de líquidos adequada; 
  • Cálculos renais (pedras nos rins); 
  • Diabetes; 
  • Atividade sexual; 
  • Gravidez; 
  • Menopausa; 
  • Constipação intestinal; 
  • Uso de espermicidas; 
  • Sonda urinária. 

A Sociedade Brasileira de Urologia reforça algumas dicas para evitar a infecção urinária: ingerir bastante água ao longo do dia; não segurar a urina; evitar duchas higiênicas após a relação sexual e urinar; além de preferir a limpeza com água após evacuar. Se necessitar usar papel higiênico, a limpeza deve ser feita sempre da frente (vagina) para trás (ânus), e nunca o contrário. 

Algumas mulheres apresentam infecções de bexiga recorrentes. Nesses casos, o acompanhamento com um urologista é importante para identificar as causas. 

Por

Fabiana de Lemos é jornalista e médica. Membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Trabalhou no Caderno Gerais do Jornal Estado de Minas, de 1997 a 2003. Foi concursada da Prefeitura de Belo Horizonte e atuou como médica no SUS, de 2012 a 2018. Foi professora de Medicina pelo UniBH, até 2023. Atualmente, atende em consultório.