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Prefeito de Governador Valadares vai judicializar impeachment

Em postagem nas redes, Coronel Sandro (PL) veiculou áudio em que o presidente da comissão processante oferece ao relator do processo dinheiro para produzir relatório favorável à cassação

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Guilherme Dardagnan | ALMG

Alvo de um processo de impeachment na Câmara Municipal, o prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL) vai representar denúncia ao Ministério Público Estadual nesta segunda-feira, 11, contra o vereador Amaral do Povo (Avante), que preside a comissão processante, anexando áudio no qual ele estaria oferecendo ao relator da comissão processante, vereador Lei do Mãe de Deus (PMB) R$ 200 mil em espécie e um veículo de R$ 100 mil por um parecer favorável à cassação. Em seu perfil no Instagram, o prefeito postou o áudio, que seria da conversa entre os dois parlamentares, gravada por terceiros em um bar.

Em outra ação paralela, a defesa do Coronel Sandro vai recorrer à Justiça com pedido de afastamento cautelar das funções dos dois vereadores, além de uma ação anulatória dos atos legislativos praticados em sessão desta sexta-feira, 8 de maio, da comissão processante, quando foi aprovado o relatório que dá seguimento ao processo de impeachment do prefeito.

Com a judicialização do caso, o advogado Mauro Bomfim, que defende Coronel Sandro, pretende interromper o curso do processo. Segundo o rito, o relatório aprovado pela comissão processante é encaminhado à presidência da Câmara Municipal que, com base na pauta regimental, convoca a sessão do julgamento. Para o impeachment são necessários 14 votos favoráveis entre os 21 vereadores que compõem o plenário. Segundo Mauro Bomfim, a ação judicial irá requerer a anulação de todos os atos da comissão processante praticados em 8 de janeiro e de eventuais atos subsequentes praticados.

A comissão processante foi instalada com base em denúncias de supostas irregularidades na contratação de serviços de transporte escolar por meio do consórcio Intefederativo de Minas Gerais (Ciminas). Segundo a Prefeitura de Governador Valadares, a adesão ao Ciminas para a contratação de serviços foi aprovada pela Câmara Municipal em maio de 2025. O relatório aprovado pela comissão processante aponta irregularidades no distrato com a prestadora de serviço que antecedeu a nova contratação via Ciminas, além do credenciamento e operação da nova empresa denominada Alphavia, um mês antes da assinatura do contrato.

Na avaliação de interlocutores do Coronel Sandro, a comissão processante resulta, na prática de uma questão política: depois do rompimento do prefeito com o grupo político que o elegeu, que é o mesmo do deputado federal Hercílio Coelho Diniz (MDB), o prefeito perdeu a base de sustentação na Câmara Municipal. No processo de recomposição de apoios, o Coronel Sandro se aproximou do grupo político do deputado federal Euclydes Petterssen (Republicanos) que, nas eleições, apoiou o candidato Renato Fraga (Republicanos), derrotado pelo Coronel Sandro.