Por que o preço do café não subiu para o consumidor após a chuva de pedras?
O prejuízo, às vezes irreparável, atinge alguns pequenos produtores; no geral, a produção final quase não é alterada

Amigas e amigos do Agro!
As chuvas de vento e pedras que caíram dias atrás nos cafezais mineiros, principalmente em Ilicínia e Boa Esperança, trouxeram perdas irreparáveis para alguns pequenos produtores: teve cafeicultor que perdeu praticamente tudo.
Conversando com pessoas ligadas às cooperativas e também produtores, a conclusão é a seguinte: a Emater fez um levantamento sobre as consequências das chuvas de pedras, detalhando que cerca de 10 mil hectares foram severamente atingidos.
Como a grande maioria é um grupo de pequenos produtores, podemos dizer que as perdas são enormes para todos eles. É um prejuízo que não se recupera.
Dependendo da intensidade das pedras, os pés de café podem ser totalmente desfolhados. Se houver necessidade de um novo plantio, o cafeicultor vai esperar até 3 anos para colher a nova safra.
Como o seguro rural oferecido pelo governo federal é um dos mais baixos do mundo, levando-se em consideração a potência produtiva que é o Brasil, muitos cafeicultores não se recuperam e abandonam o setor.
O detalhe das chuvas de vento e pedras é que a área atingida é específica, por isso até o momento não há preocupação com queda do volume a ser colhido.
O Brasil tem hoje cerca de 2 milhões e 300 mil hectares plantados de café e não serão os 10 mil hectares atingidos que terão influencia na safra produzida. Fica o prejuízo colhido por alguns que deveriam estar cobertos pelo governo pelo seguro rural.
Também não houve nenhum movimento de alta no mercado internacional e nem no interno por causa dessas chuvas. Há oscilações normais de mercado. Por aqui nada mudou!
As previsões sobre o El Niño e suas consequências com o café brasileiro. De acordo com análise da Consultoria Hedgepoint Global Market, nosso café não deverá ser severamente atingido.
Segundo a consultoria, países produtores na América Central e Ásia deverão ser os mais atingidos. Só que dependendo do que acontecer nos outros países, os preços no Brasil poderão subir.
Por enquanto, sem previsão de nova disparada de preços do café!
Itatiaia Agro, Valdir Barbosa.
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



