Processo de cassação na Câmara pode impactar candidaturas do Podemos e de Simões
Vereador Lucas Ganem pode ser cassado nos próximos dias

O processo de cassação do vereador Lucas Ganem (MDB), na Câmara Municipal de Belo Horizonte, está em fase final de tramitação, e o resultado pode impactar candidaturas à Câmara dos Deputados, à Assembleia Legislativa de Minas Gerais e até a composição da chapa de Mateus Simões (PSD) ao Governo de Minas.
Lucas é investigado por fraude de domicílio eleitoral. Candidato em Belo Horizonte, segundo denúncia apresentada ao Ministério Público, ele só passou a morar na capital depois das eleições. Segundo a Câmara, o vereador confessou, em depoimento prestado à Casa, que se mudou para Belo Horizonte apenas em novembro.
Nesta quinta-feira (25), às 15h, a Comissão Processante vota, se houver quórum, o parecer do relator, vereador Edmar Branco (PCdoB), favorável à cassação. Depois disso, o presidente da Câmara, vereador Professor Juliano Lopes (Podemos), terá prazo de 24 horas para convocar a sessão plenária que vai definir o futuro de Ganem. Se a reunião não ocorrer até segunda-feira (29), o processo será arquivado. A tendência é que a cassação seja incluída na pauta e votada pelo plenário.
Na última quarta-feira (24), o deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP), irmão de Lucas, protocolou na direção nacional do partido um pedido de expulsão do presidente da Câmara, Professor Juliano Lopes. O pedido tem como base um episódio envolvendo uma discussão com policiais militares durante uma festa, em outubro de 2025, em uma investigação posteriormente arquivada. Nos bastidores, a avaliação é de que o pedido de expulsão seria uma retaliação ao suposto descumprimento de um acordo do Podemos para preservar Lucas da cassação.
Se Juliano Lopes for expulso do partido, ficará sem legenda e, consequentemente, impedido de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. Em Brasília, circula a informação de que pode haver uma nova intervenção da direção nacional no Podemos de Minas, como já ocorreu anteriormente. Nesse cenário, algumas fontes afirmam que o partido poderia deixar a base do governador Mateus Simões (PSD) e migrar para um bloco formado por PL e Republicanos.
Uma eventual intervenção nacional, com novas alianças, também pode afetar candidaturas expressivas do Podemos, como a de Nely Aquino, que deve disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados, além dos vereadores Flávia Borja, José Ferreira e Oswaldo Lopes, todos pré-candidatos à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



