TSE avalia banir deepfakes e pode endurecer regras para eleições de 2026
Ministros discutem uso de inteligência artificial na campanha após vídeo de Bolsonaro feito com IA

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reúnem nesta quinta-feira (13) para discutir os limites do uso de inteligência artificial nas eleições de 2026. Entre os principais pontos em debate está a possibilidade de proibir de forma ampla o uso de deepfakes na campanha eleitoral.
A discussão ocorre após a divulgação de um vídeo produzido com inteligência artificial em que o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece declarando apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O material foi exibido durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio e provocou questionamentos na Justiça Eleitoral. O PT acionou o TSE e sustenta que o conteúdo viola as regras estabelecidas pela própria Corte para o uso de inteligência artificial em campanhas.
A reunião foi convocada pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que busca construir um entendimento entre os integrantes da Corte sobre o assunto. A expectativa é que os ministros estabeleçam parâmetros para casos semelhantes que possam surgir durante a campanha.
O TSE já possui regras específicas para o uso de inteligência artificial nas eleições. A regulamentação determina que conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA sejam identificados de maneira explícita, destacada e acessível.
Além disso, a resolução eleitoral proíbe o uso de conteúdo sintético em áudio ou vídeo criado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa com o objetivo de prejudicar ou favorecer uma candidatura.
A discussão desta quinta-feira, portanto, não parte de um cenário sem regulamentação. Os ministros devem avaliar principalmente como aplicar as regras já existentes e quais punições podem ser adotadas em caso de descumprimento.
Nos bastidores, uma das possibilidades discutidas pelos ministros é a aplicação de multa e a retirada do conteúdo do ar, em vez de uma punição mais grave. A definição de um precedente é considerada importante para evitar uma série de interpretações diferentes sobre o uso da IA durante a campanha.
A legislação eleitoral prevê consequências mais severas para determinadas violações envolvendo conteúdo sintético, incluindo a possibilidade de cassação do registro ou do mandato quando configurados abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
Com o início oficial da campanha eleitoral marcado para 16 de agosto, a decisão do TSE ganha ainda mais relevância. A Corte terá pela frente uma eleição em que o uso de ferramentas de inteligência artificial tende a crescer, aumentando a preocupação com conteúdos manipulados e possíveis tentativas de influenciar o eleitorado.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



