Suspensão da vacina da dengue do Butantan não afeta imunizante aplicado pelo SUS
Medida preventiva foi adotada após investigação de eventos adversos raros; imunizante oferecido a crianças e adolescentes segue normalmente

A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan não altera a vacinação oferecida atualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde reforçou que a medida envolve exclusivamente o imunizante do Butantan, utilizado em profissionais da atenção primária e em projetos-piloto realizados em cidades selecionadas.
A decisão foi anunciada após a identificação de 42 eventos adversos graves entre mais de 500 mil doses aplicadas desde janeiro deste ano. Os casos, considerados raros, estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias, que também apuram dois óbitos e outro caso grave registrados após a vacinação. Até o momento, não há comprovação de relação causal entre os episódios e o imunizante.
Segundo o Ministério da Saúde, a suspensão tem caráter preventivo e foi adotada para permitir análises mais aprofundadas sobre a segurança da vacina em diferentes grupos populacionais. As doses permanecerão armazenadas enquanto as investigações prosseguem.
Já a vacina aplicada regularmente pelo SUS em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos segue disponível normalmente. O governo federal destacou que a estratégia de imunização da rede pública não sofreu alterações e que a medida anunciada não afeta o calendário vacinal em vigor.
Além disso, o Ministério da Saúde afirmou que a interrupção temporária não invalida a eficácia da vacina do Butantan para quem já recebeu a dose. A orientação é que os vacinados observem possíveis sintomas de alerta nas semanas seguintes à aplicação e procurem atendimento médico em caso de necessidade.
Garantir a segurança da população
Cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde o início da estratégia, segundo o Ministério da Saúde. Foram identificados 42 episódios de reações mais severas temporalmente associadas à vacinação. Os registros equivalem a cerca de oito casos para cada 100 mil doses aplicadas.
Entre os 42 episódios, três foram considerados graves — sendo que dois deles evoluíram para óbito. Porém, Padilha destacou que, até o momento, não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os casos graves ou as mortes. "Não existe, até este momento, dado suficiente para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Mas é um sinal de alerta para o sistema de vigilância, junto com os 42 casos registrados, que nos recomenda a descontinuidade temporária da atual estratégia de vacinação até que se concluam todas as investigações necessárias."
O ministro da Saúde, ao anunciar a decisão, ainda afirmou que a prioridade é garantir a segurança da população e reforçou que a medida segue um princípio fundamental da saúde pública: "A nossa decisão neste momento é descontinuar de forma temporária a atual estratégia de vacinação com a vacina da dengue do Butantan no país. Essa descontinuidade tem um objetivo: primeiro, uma ação de precaução que deve sempre guiar quem respeita a vida e quem respeita a ciência, ainda mais quando estamos falando de vacinação."
A suspensão permitirá que a pasta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan realizem uma análise detalhada dos 42 casos notificados. Entre os pontos que serão investigados estão possíveis fatores de risco dos pacientes, condições de armazenamento e transporte das doses, procedimentos de aplicação e outras variáveis que possam ajudar a esclarecer os eventos registrados.
Butantan se manifesta
Por meio de nota, o Butantan destacou que a vacina apresentou "eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional". O instituto ainda destacou que não ocorreram "casos importantes de reação adversa" nas cidades onde ocorreu a vacinação.
"Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população", diz trecho do comunicado. Apesar de destacar a eficácia do imunizante e dizer que a reação adversa na população não registrou casos importantes, o Butantan afirmou que irá cumprir a determinação.
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