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Nova caneta emagrecedora sem aprovação é vendida no Brasil e apreensões batem recorde

Comercializada ilegalmente na internet e em áreas de fronteira, a retatrutida promete forte perda de peso, mas órgãos de saúde alertam para riscos graves e presença de substâncias falsificadas

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A pressa em obter resultados estéticos tem levado consumidores a buscarem o produto no mercado paralelo • stefamerpik/Freepik

O mercado clandestino de medicamentos para emagrecimento acendeu um novo e grave alerta de saúde pública no país. Apontada como a evolução das chamadas canetas emagrecedoras, a retatrutida passou a ser vendida ilegalmente em redes sociais e sites brasileiros antes mesmo de ser aprovada por qualquer agência reguladora no mundo.

Conforme revela o site de notícias G1, as operações de fiscalização já indicam uma explosão no combate a esse comércio: nos primeiros três meses deste ano, as apreensões do produto e de substâncias similares na fronteira ultrapassaram R$ 11 milhões, superando todo o volume registrado ao longo do ano anterior.

A substância promete ser ainda mais potente do que os tratamentos hoje liberados no mercado. Em pesquisas de fase 3, o composto demonstrou promover uma perda média de 28,3% do peso corporal entre os voluntários que receberam as doses mais altas. Em uma extensão dos estudos com quadros graves de obesidade, a redução média chegou a atingir 38,5 kg. Por atuar ao mesmo tempo em três receptores hormonais ligados à saciedade e ao gasto energético (GLP-1, GIP e glucagon), a molécula ganhou destaque internacional como uma promessa para a medicina.

Apesar dos dados das pesquisas clínicas, o alerta das autoridades de saúde e da própria fabricante é que o medicamento ainda não concluiu todas as fases necessárias de testes e não possui registro em nenhum órgão sanitário do planeta. Segundo a farmacêutica responsável, a liberação só será solicitada às autoridades após o encerramento de todas as avaliações de eficácia e segurança em massa. Por isso, qualquer produto comercializado atualmente com o nome de retatrutida é completamente irregular e considerado ilegal pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A pressa em obter resultados estéticos tem levado consumidores a buscarem o produto no mercado paralelo, ignorando perigos significativos para a saúde. Como o item não possui registro, fiscalização ou bula, o usuário não tem garantias sobre o que realmente está aplicando no próprio corpo. Análises e testes realizados com versões clandestinas apontaram a presença de impurezas, variações incorretas na dosagem e até contaminação.

Além disso, médicos e especialistas ouvidos pelo G1 alertam para os perigos do transporte e do armazenamento inadequados. Canetas mantidas sem a refrigeração correta podem sofrer reações químicas que degradam o princípio ativo ou geram compostos tóxicos para órgãos vitais como fígado, coração e cérebro. O uso sem acompanhamento médico adequado também eleva os riscos de complicações graves, como inflamações no pâncreas e formação de cálculos na vesícula biliar decorrentes da perda de peso acelerada.

Vale o alerta das autoridades de que a população não deve adquirir nem utilizar produtos sem registro da Anvisa. As pessoas que necessitam de tratamento para obesidade ou controle metabólico devem buscar acompanhamento com profissionais de saúde para utilizar apenas opções devidamente testadas, regulamentadas e vendidas dentro das normas legais.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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