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Depressão: quando o antidepressivo melhora os sintomas, mas não resolve completamente o quadro

Pacientes podem apresentar melhora de parte dos sintomas, mas continuar com fadiga, ansiedade, alterações do sono e dificuldade de concentração; especialistas discutem estratégias complementares

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MAE GRAVIDA TRISTEZA DEPRESSAO
Imagem ilustrativa • Banco de imagens Canva

A melhora de parte dos sintomas da depressão nem sempre significa que o tratamento atingiu o resultado esperado. A chamada resposta parcial ao tratamento ocorre quando o paciente apresenta evolução após o uso de antidepressivos, mas ainda mantém sintomas que podem comprometer o bem-estar, a funcionalidade e a qualidade de vida.

Entre os sinais que podem permanecer estão fadiga, ansiedade, dificuldade de concentração, alterações do sono e redução da capacidade funcional. Em alguns casos, o paciente consegue retomar o trabalho e atividades da rotina, mas ainda convive com sintomas que indicam que a remissão completa não foi alcançada.

“O paciente, muitas vezes, consegue voltar a trabalhar ou retomar algumas atividades do dia a dia, e pensa que atingiu o máximo possível de melhora com o antidepressivo prescrito. Mas resposta parcial não significa remissão. Em muitos casos, ainda há espaço para otimizar o tratamento e recuperar a funcionalidade de forma mais ampla”, afirma o psiquiatra Felipe Lobo, médico consultor da Libbs e supervisor do ambulatório de transtornos de personalidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Troca de antidepressivos

Um dos principais estudos sobre o tratamento da depressão, o STAR*D (Sequenced Treatment Alternatives to Relieve Depression), mostrou que uma parcela significativa dos pacientes com Transtorno Depressivo Maior não alcança a remissão completa após o primeiro antidepressivo. O levantamento também apontou redução progressiva das taxas de remissão entre pacientes que precisaram avançar para novas etapas de tratamento.

Diante de uma resposta parcial, uma das estratégias adotadas na prática clínica é a troca do antidepressivo. O procedimento pode ser repetido em diferentes etapas, antes que sejam consideradas outras possibilidades de otimização do tratamento.

Nesse contexto, ganham espaço as chamadas terapias adjuvantes, que consistem na associação de abordagens complementares ao antidepressivo utilizado pelo paciente. O objetivo é potencializar a resposta ao tratamento e ampliar a melhora dos sintomas.

Entre as alternativas estudadas está o levomefolato de cálcio, também conhecido como L-metilfolato. Trata-se de uma forma ativa do folato que participa da síntese de neurotransmissores relacionados ao humor e que pode ser utilizada como terapia adjuvante em pacientes selecionados, conforme avaliação médica.

L-metilfolato

Estudos recentes sugerem que determinados perfis de pacientes podem apresentar maior benefício com o uso do L-metilfolato como terapia complementar. Entre eles estão pessoas com índice de massa corporal elevado e níveis aumentados de alguns biomarcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa ultrassensível e determinadas citocinas.

“Ainda há uma tendência de insistir em sucessivas trocas de antidepressivos antes de avaliar outras estratégias. Mas, também tem aumentado a compreensão dos médicos de que alguns pacientes podem se beneficiar de terapias adjuvantes, especialmente quando persistem com sintomas”, diz Lobo.

Segundo o psiquiatra, a resposta parcial pode ter diferentes causas e, por isso, a avaliação do paciente deve considerar características individuais e outras possibilidades de tratamento.

“Hoje entende-se que a resposta parcial à depressão pode ter diferentes causas. Por isso, além da escolha do antidepressivo, é importante avaliar fatores individuais do paciente e estratégias complementares, como o L-metilfolato, que possam favorecer uma recuperação mais completa.”

Para Felipe Lobo, a avaliação da resposta ao tratamento não deve considerar apenas a redução dos sintomas mais intensos. A recuperação da funcionalidade e da qualidade de vida também deve fazer parte dos objetivos terapêuticos.

“O objetivo do tratamento é permitir que o paciente recupere a funcionalidade, a autonomia e a qualidade de vida”, finaliza.

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