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Rede Mater Dei é pioneira no uso de IA que reduz burocracia médica

Tecnologia integrada ao prontuário eletrônico poupa cerca de 1,7 hora por dia dos médicos e amplia o tempo dedicado ao acompanhamento e ao cuidado dos pacientes

Por
Magnific

A inteligência artificial vem ganhando espaço na medicina e já começa a fazer parte do cotidiano de hospitais, médicos e pacientes. Boa parte dessa transformação se tornou conhecida pelo uso da tecnologia como apoio em diagnósticos, análise de exames e procedimentos. Mas há outra frente, menos visível para quem está fora dos hospitais, que pode provocar mudanças importantes na rotina assistencial. É o uso da IA para diminuir a burocracia, organizar informações do prontuário e facilitar o acompanhamento do paciente ao longo de sua jornada de cuidado.

É justamente nessa área que a Rede Mater Dei de Saúde avança com uma iniciativa pioneira no Brasil. Dentro dos investimentos da instituição em inovação e tecnologia para aprimorar a experiência de médicos e pacientes, a rede se tornou a primeira do país a adotar em larga escala um assistente de inteligência artificial desenvolvido pela startup colombiana Telepatia e integrado diretamente ao prontuário eletrônico.

A ferramenta já é utilizada pelo corpo clínico das unidades da Rede Mater Dei na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Seu principal efeito aparece em uma questão bastante concreta na rotina médica. Ao assumir parte do trabalho de organização e registro das informações, a tecnologia permite recuperar, em média, 1,7 hora por dia de cada profissional, tempo que pode ser dedicado ao atendimento e à relação com os pacientes.

IA integrada ao prontuário acompanha o paciente antes e durante a consulta

A atuação da tecnologia começa antes mesmo de médico e paciente iniciarem a conversa. A inteligência artificial acessa as informações disponíveis no prontuário eletrônico e organiza o histórico clínico, facilitando a consulta a dados relevantes acumulados em atendimentos anteriores.

Durante a consulta, a ferramenta acompanha a conversa e estrutura as informações apresentadas pelo paciente, preparando registros sobre o histórico relatado, a evolução clínica e um resumo do atendimento. Todo o conteúdo produzido passa pela avaliação do médico, que mantém a autonomia para aceitar, modificar ou rejeitar as sugestões.

A iniciativa busca enfrentar uma dificuldade que ocupa uma parcela significativa da jornada dos profissionais de saúde. Na América Latina, médicos dedicam entre 40% e 70% do tempo de trabalho ao preenchimento de prontuários e a outras tarefas administrativas, segundo dados apresentados no projeto.

A tecnologia também auxilia na organização de informações relacionadas à segurança do atendimento.

“Muito além de agilizar os registros, a inteligência artificial atua para elevar o padrão de segurança clínica por meio de uma curadoria de dados rigorosa e baseada em evidências. Funcionando como um ‘segundo cérebro’ na sala, a Telepatia alerta os profissionais instantaneamente sobre possíveis interações medicamentosas, inconsistências, omissão de exames importantes ou alergias relatadas pelo paciente que poderiam passar despercebidas”, explica Lara Salvador Geo, Vice-Presidente de Inovação e Experiência do Paciente da Rede Mater Dei de Saúde.

Menos burocracia amplia o tempo dedicado ao paciente

A redução das tarefas administrativas ganha importância em uma rotina na qual o preenchimento de informações concorre diretamente com o tempo disponível para ouvir, examinar e acompanhar cada paciente. Ao automatizar parte desses processos, a tecnologia procura devolver ao profissional um período que antes era consumido por atividades repetitivas.

Segundo a Rede Mater Dei, a adesão do corpo clínico mostra como a ferramenta passou a integrar a rotina da instituição. Os médicos utilizam ativamente a plataforma por cerca de oito horas por dia.

“A integração da Telepatia ao prontuário não é apenas uma evolução tecnológica, mas uma ferramenta estratégica que transforma o dia a dia do nosso corpo clínico. Ao reduzir a carga administrativa, permitimos que nossos médicos foquem no que realmente importa: a qualidade da assistência e a conexão com o paciente”, explica Carla Viviane Silva Rossi, Executiva de Relacionamento Médico e Operações da Rede Mater Dei de Saúde.

Nesse modelo, a inovação atua principalmente nos bastidores. Enquanto a inteligência artificial ajuda a reunir, estruturar e apresentar informações, o médico preserva a responsabilidade pelas decisões relacionadas ao atendimento. A tecnologia passa a funcionar como suporte para tornar a rotina mais ágil, sem retirar o caráter humano da assistência.

Inovação também contribui para segurança e eficiência hospitalar

A aplicação da inteligência artificial adotada pelo Mater Dei também alcança aspectos da gestão hospitalar. A ferramenta consegue cruzar informações dos tratamentos propostos com a cobertura dos planos de saúde e apontar alternativas equivalentes quando identifica a possibilidade de recusa do medicamento pelo convênio. A indicação apresentada pela plataforma continua sujeita à análise do médico.

“Além disso, essa inovação se estende também à gestão sustentável do hospital: a ferramenta cruza os tratamentos propostos com a cobertura dos planos de saúde, sugerindo medicamentos equivalentes para mitigar riscos de recusas de pagamento por parte dos convênios, o que alinha a excelência clínica aos objetivos de eficiência institucional”, complementa Miguel de Arteaga, CFO da Telepatia e diretor geral da empresa no Brasil.

A adoção da Telepatia se soma aos investimentos da Rede Mater Dei em soluções voltadas a aproximar inovação, eficiência e cuidado. Nesse caso, o avanço tecnológico ocorre em uma área que pode passar despercebida pelo paciente, mas interfere diretamente na qualidade do tempo disponível durante o atendimento.

“Essa aplicação prática demonstra que, na Rede Mater Dei, a tecnologia atua silenciosamente nos bastidores para garantir que a relação entre o médico e o paciente seja sempre a principal protagonista”, completa Lara Salvador Geo.

Fundada por Nicolás Abad, a Telepatia é uma plataforma de inteligência artificial voltada à saúde e informa atender mais de 14 milhões de pacientes na América Latina. A empresa captou US$ 33 milhões e tem entre seus apoiadores a Andreessen Horowitz. Com a adoção da solução em larga escala, a Rede Mater Dei abre uma nova frente para o uso da inteligência artificial na saúde brasileira, direcionada a reduzir a burocracia que cerca o trabalho médico e ampliar o tempo disponível para o cuidado.

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