Médico explica tratamento com canetas emagrecedoras e riscos do uso
Uso sem orientação médica pode causar complicações graves e reganho de peso

As canetas emagrecedoras estão cada vez mais populares. O médico gastroenterologista Mauro Jácome explica o que são esses medicamentos e como é feito o tratamento.
“Canetas emagrecedoras são um conjunto de medicamentos que são administrados de maneira injetável. A seringa que aplica parece uma caneta de escrever, por isso o nome. Existem várias substâncias. A indicação é para pacientes que têm sobrepeso, obesidade leve, moderada ou severa, que fizeram um tratamento com dieta, atividade física e mudança de hábitos e não tiveram resultado”, afirma em participação no programa Chamada Geral desta sexta-feira (24).
O profissional também comentou sobre a liberação do tratamento com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2. “O que é importante nessa faixa etária é avaliar, do ponto de vista médico, se outras doenças estão presentes e inserir essa criança dentro de um programa multidisciplinar. Não é só usar a caneta; tem que ter condução médica, nutricional, avaliação pediátrica e endocrinológica”, explica o dr. Mauro Jácome.
O médico explica o que fazer ao fim do tratamento e como passar pelo procedimento sem reganho de peso. “Esses medicamentos não são feitos para se suspender de uma vez. Vejo muito essa dúvida: "Parei de usar a caneta e engordei". Engordou porque eles não são feitos para interrupção súbita. Se o paciente suspende de uma vez, o corpo percebe a falta da substância e ele começa a ter apetite e ganhar peso. Cerca de 10% dos pacientes vão precisar da substância continuamente para manter o peso ou o controle da glicose”.
O gastroenterologista diz que é possível conciliar o tratamento com canetas emagrecedoras a outros métodos para emagrecer, como a bariátrica, por exemplo. "A obesidade é uma doença crônica e a ela pode "dar a volta" em vários tratamentos, inclusive na bariátrica. As canetas são uma ferramenta nesse arsenal", destaca.
Muitas pessoas que buscam emagrecer compram as canetas por meios clandestinos. O médico alerta sobre essa prática: "É perigoso. Se você usar de maneira incorreta, pode ter complicações graves. Atendi uma paciente há três semanas que ficou um mês internada com uma pancreatite grave no CTI. É um medicamento seguro quando bem indicado, mas não façam loucuras. Procurem atendimento médico.”
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



