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Crianças e adolescentes podem ter diabetes tipo 2? Médica esclarece

Diabetes tipo 2 é mais comum entre adultos e caracteriza-se pela resistência à insulina

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Crianças com diabetes
Pacientes com diabetes tipo 2 produzem insulina, mas não conseguem utilizá-la de forma eficaz • Freepik

A diabetes tipo 2 está relacionada à resistência à insulina e costuma estar associada a excesso de peso, sedentarismo e predisposição genética. Alguns pensam que crianças não podem ter a doença, que é mais comum entre adultos.

A médica Bruna Marisa, pós-graduada em endocrinologia, afirma que crianças podem sim ter diabetes tipo 2. "Embora o diabetes tipo 2 tenha sido historicamente mais comum em adultos, ele tem sido cada vez mais diagnosticado em crianças e adolescentes, especialmente nas últimas décadas”, afirma.

Ela destaca que “esse aumento está diretamente relacionado a mudanças no estilo de vida, como maior sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados e o crescimento dos casos de sobrepeso e obesidade infantil. Além disso, fatores genéticos e histórico familiar também influenciam".

Os pacientes com diabetes tipo 2 produzem insulina, mas não conseguem utilizá-la de forma eficaz. Já no tipo 1, trata-se de “uma doença autoimune em que o sistema imunológico destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, sendo mais comum na infância e adolescência”, diz a especialista.

Entre crianças, a médica lista que os sintomas mais comuns de diabetes, especialmente do tipo 1, são: “aumento da sede, vontade frequente de urinar, perda de peso sem explicação aparente, cansaço excessivo e aumento do apetite”. Além disso, em alguns casos os pacientes podem apresentar irritabilidade, visão embaçada e infecções recorrentes.

A profissional explica como é o tratamento nos dois tipos de diabetes. “No diabetes tipo 1, é indispensável o uso de insulina diariamente, já que o organismo não produz mais o hormônio. No tipo 2, o tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, uso de medicação oral ou insulina".

Anvisa aprova tirzepatida para tratar diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos. Com a medida, a caneta emagrecedora é a primeira no Brasil a ser liberada para uso pediátrico.

O Mounjaro já era aprovado no Brasil, mas com uso restrito a adultos. Após a novidade, os médicos passam a contar com a tirzepatida em casos em que outros tratamentos para controle da glicemia não foram suficientes.

A decisão da Anvisa foi baseada em um estudo clínico internacional em fase três, etapa em que o tratamento é testado em larga escala. A pesquisa, publicada na revista Lancet, aponta que em crianças e adolescentes os efeitos adversos foram semelhantes aos já conhecidos no tratamento em adultos.

No estudo não há relatos de casos de hipoglicemia grave. Os efeitos colaterais observados incluem sintomas gastrointestinais, como náusea, diarreia e vômito, em geral leves a moderados e mais frequentes no início do tratamento.

 

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.