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Conheça técnica que 'substitui' células do cérebro em pacientes com Parkinson

Tratamento premiado com o Nobel usa células-tronco para restaurar dopamina no cérebro de pacientes com Parkinson

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Doença de Paarkinson
Dopamina atua no controle dos movimentos • Rafa Neddermeyer | Agência Brasil

O Japão aprovou um tratamento inovador contra o Parkinson, usando células-tronco para restaurar a produção de dopamina no cérebro, substância importante para o controle dos movimentos. O processo substitui células que deixam de funcionar com a progressão da doença.

Primeiro, o sangue dos pacientes é coletado, e suas células são reprogramadas em laboratório. Nessa fase, as estruturas tornam-se células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS, que conseguem se transformar em praticamente qualquer tipo celular do corpo.

Depois, cerca de 10 milhões de células iPS são implantadas no cérebro do paciente. Os profissionais abrem pequenas áreas no topo da cabeça e inserem uma uma cânula fina até atingir uma região profunda do cérebro onde os movimentos são controlados.

Em um estudo usando o método, os sete participantes, com idade entre 50 e 70 anos, apresentaram aumento significativo da dopamina dois anos após o transplante. Os pacientes também tiveram melhora nos sintomas motores, com redução de tremores e rigidez.

A produção de dopamina entre os participantes da pesquisa foi de 44%, em média. A melhora média foi de cerca de 20%, chegando a 50% em um dos casos.

Apesar de os estudos serem promissores, a técnica ainda não é sinônimo de cura. Isso porque o Parkinson não afeta apenas os neurônios produtores de dopamina, mas também outras áreas e tipos celulares do cérebro.

Aplicação no Japão

O grupo Sumitomo Pharma foi quem recebeu a aprovação para a produção e venda do Amchepry, o tratamento para a doença de Parkinson com iPS. Apesar da aprovação, o tratamento ainda não começou a ser aplicado.

O cientista japonês Shinya Yamanaka ganhou o Prêmio Nobel em 2012 por sua pesquisa sobre as iPS. Em seu comunicado, a Sumitomo Pharma afirmou que obteve uma "aprovação condicional e de tempo limitado" para a produção e comercialização do Amchepry.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.