Itatiaia

Três doses de vacina reduziram em 97% casos graves de Covid-19 em crianças, aponta estudo da USP

Pesquisa analisou mais de 2 milhões de crianças de 6 meses a 4 anos em 24 municípios brasileiros entre 2022 e 2024

Por
Não há estoque de vacinas contra a covid-19 para crianças
Imagem meramente ilustrativa • Freepik

Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) apontou que o esquema de três doses da vacina da Pfizer/BioNTech esteve associado a uma redução de 97% na ocorrência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) provocada pela Covid-19 em crianças de 6 meses a 4 anos.

Os resultados foram divulgados pelo Jornal da USP. A pesquisa analisou dados de crianças de 24 municípios brasileiros que concentraram os maiores números de casos graves e hospitalizações por Covid-19 entre julho de 2022 e dezembro de 2024.

Ao todo, a pesquisa acompanhou 2.093.745 crianças, o equivalente a cerca de 18% da população brasileira nessa faixa etária, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pesquisa acompanhou crianças por mais de dois anos

De acordo com o Jornal da USP, os pesquisadores utilizaram registros de hospitalizações do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Influenza (Sivep-Gripe) e dados oficiais de vacinação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).

O acompanhamento acumulou mais de 37,6 milhões de crianças-mês, período utilizado pelos pesquisadores para comparar a ocorrência de casos graves entre crianças vacinadas e não vacinadas. Durante o intervalo analisado, foram registradas 1.384 hospitalizações por SRAG atribuídas à Covid-19, além de 27 mortes associadas à doença.

Os pesquisadores dividiram a análise principalmente entre crianças que receberam a vacina da Pfizer/BioNTech e aquelas que não haviam sido vacinadas. Também foram avaliados dados referentes à CoronaVac.

Nenhuma morte entre crianças com três doses

Segundo o estudo divulgado pelo Jornal da USP, as crianças que haviam completado o esquema primário de três doses da Pfizer/BioNTech não registraram mortes associadas à Covid-19 durante o período analisado.

Entre as crianças não vacinadas, foram contabilizadas 23 das 27 mortes registradas no conjunto analisado. Os outros quatro óbitos ocorreram entre crianças que haviam recebido uma ou duas doses da Pfizer/BioNTech.

O pesquisador Isaac Negretto Schrarstzhaupt, cientista de dados da Faculdade de Saúde Pública da USP e primeiro autor do trabalho, afirmou ao Jornal da USP que os resultados reforçam a importância da vacinação infantil para reduzir casos graves.

“O nosso estudo traz mais informações de que as vacinas realmente funcionam e que precisamos de uma cobertura vacinal para diminuir casos graves da doença”, afirmou Schrarstzhaupt ao Jornal da USP.

Número menor de doses não apresentou o mesmo resultado

Apesar da redução observada com o esquema completo da Pfizer/BioNTech, os pesquisadores não encontraram benefícios consistentes associados a um número menor de doses. Segundo o estudo, os resultados também variaram de acordo com a idade das crianças.

Já entre crianças de 3 e 4 anos vacinadas com a CoronaVac, o esquema de duas doses não apresentou redução estatisticamente significativa na ocorrência de SRAG associada à Covid-19. A cobertura de uma terceira dose foi considerada insuficiente para que os pesquisadores estimassem seu efeito.

O professor Fredi Diaz-Quijano, da Faculdade de Saúde Pública da USP e orientador do estudo, destacou ao Jornal da USP que os resultados não diminuem a importância da CoronaVac. Segundo o pesquisador, a vacina teve papel relevante no início da pandemia, mas, por ser produzida com vírus inativado, sua proteção pode precisar ser reavaliada diante do surgimento de novas variantes.

Estudo também aponta limitações

Os pesquisadores ressaltaram que o trabalho possui limitações. Uma delas é a chamada imunidade natural, adquirida por pessoas que tiveram contato com o vírus. Dados do estudo Epicovid 2.0 citados pelo Jornal da USP indicam que 28% da população já havia passado por pelo menos uma infecção por SARS-CoV-2 entre março e junho de 2024. Para os autores, infecções anteriores entre crianças não vacinadas podem ter reduzido a diferença observada entre os grupos e influenciado a estimativa de efetividade das vacinas.

O trabalho, intitulado Effectiveness of covid-19 vaccination schedules against severe covid-19 in children aged 6 months to 4 years in Brazil: A population-based cohort study (2023–2024), faz parte do doutorado de Isaac Negretto Schrarstzhaupt e foi publicado na revista científica Vaccine. De acordo com o Jornal da USP, trata-se do primeiro estudo a investigar a efetividade da vacinação contra a Covid-19 especificamente em crianças dessa faixa etária no Brasil, em um contexto marcado pela circulação da variante Ômicron.

Por

Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

 

 

Belo Horizonte