A Santa Casa de Belo Horizonte passou a oferecer um novo serviço de neuromonitoramento cerebral contínuo voltado para recém-nascidos de alto risco.
A tecnologia permite acompanhar, em tempo real e 24 horas por dia, a atividade cerebral de bebês internados na UTI Neonatal, auxiliando na identificação precoce de asfixia cerebral e outras alterações neurológicas que podem causar sequelas graves.
O serviço começou a funcionar no mês passado e, neste primeiro momento, está em fase de testes em dois dos 20 leitos da UTI Neonatal.
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O monitoramento é feito por meio de eletroencefalografia, com acompanhamento remoto de especialistas e apoio de inteligência artificial, que alerta a equipe médica diante de qualquer sinal de anormalidade.
Segundo o médico neonatologista Gabriel Variane, o neuromonitoramento é fundamental porque muitas crises convulsivas em recém-nascidos não apresentam sinais visíveis.
“Em 80% a 90% das vezes em que um bebê convulsiona, ele não pisca o olho nem mexe os dedos. É praticamente impossível identificar o problema sem o monitoramento cerebral”, explica.
O especialista destaca ainda que o exame permite detectar situações graves mesmo quando outros sinais vitais aparentam normalidade.
“Muitas vezes o bebê está com oxigenação e pressão arterial normais, mas com baixos níveis de oxigenação no cérebro. Com sensores específicos na cabeça, conseguimos um diagnóstico muito mais precoce e preciso, o que permite intervenções mais eficazes e reduz o risco de lesões neurológicas permanentes”, afirma.
De acordo com a Santa Casa, a expectativa é que cerca de 100 bebês sejam beneficiados por ano com a nova tecnologia.
Entre os principais ganhos estão o diagnóstico mais preciso de crises convulsivas silenciosas, o uso mais adequado de medicamentos, a redução da mortalidade neonatal e a diminuição do tempo de internação de pacientes mais graves, como prematuros extremos.