A dormência e o formigamento nos pés podem parecer inofensivos, mas também podem indicar que algo não está funcionando bem no organismo. Embora muitas vezes sejam passageiros, esses sintomas podem estar associados a doenças como diabetes, problemas vasculares e alterações nos nervos.
Segundo o médico Rodrigo Olmos, do Hospital Universitário e professor de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, o termo “dormência” costuma ser usado pelas pessoas para descrever diferentes sensações, como perda de sensibilidade, formigamento, pontadas, queimação ou até fraqueza nas pernas. Na maioria das vezes, trata-se de uma alteração na sensibilidade dos pés.
Entre as causas mais comuns estão as neuropatias periféricas, que são problemas que afetam os nervos fora do cérebro e da medula espinhal. Uma das principais origens desse tipo de alteração é o diabetes mal controlado ao longo dos anos. Nesses casos, além dos pés, as mãos também podem ser afetadas. A neuropatia costuma provocar uma dor em forma de queimação, descrita por muitos pacientes como persistente e incômoda.
Apesar disso, nem toda dormência representa doença. Ficar muito tempo na mesma posição, como com a perna cruzada, pode comprimir temporariamente vasos sanguíneos e nervos, provocando dormência momentânea. Quando a posição é corrigida, a circulação volta ao normal e a sensação desaparece em poucos minutos.
Dormência passageira ou persistente
De acordo com o especialista, as dormências podem ser divididas em dois grupos: as passageiras, geralmente relacionadas à postura, e as persistentes, que podem indicar problemas de saúde mais sérios.
Além do diabetes, doenças vasculares — como arteriosclerose e insuficiência arterial — também podem causar dormência nos pés. Nesses casos, é comum que o paciente sinta dor intensa ao caminhar, diferente da sensação de queimação típica das neuropatias.
Outra possibilidade é a compressão de nervos, como ocorre na síndrome do túnel do tarso, no pé, ou na síndrome do túnel do carpo, na mão. Dependendo da gravidade, esses quadros podem até exigir tratamento cirúrgico e geralmente afetam apenas um lado do corpo.
Fatores emocionais também podem influenciar. Ansiedade e estresse, por exemplo, podem provocar dormência transitória, que tende a desaparecer com o controle do quadro emocional.
Há ainda doenças mais raras que podem ter a dormência como sintoma, como esclerose múltipla e algumas enfermidades autoimunes. Problemas localizados, como o neuroma — muitas vezes associado ao uso de sapatos apertados ou salto alto — também podem comprimir nervos do pé e provocar dor e formigamento.
Segundo Olmos, a dormência deve ser encarada como um sinal de alerta do corpo, assim como a febre. “Não é uma doença em si, mas um sintoma. A possibilidade de cura depende da causa. Por isso, quando a sensação é frequente, persistente ou causa incômodo constante, é fundamental procurar avaliação médica para identificar o problema e iniciar o tratamento adequado”, afirma.