Exercícios intensos podem ajudar a controlar crises de pânico, aponta estudo da USP

Pesquisa revela que exercícios cursos e intensos são mais eficazes que o tratamento tradicional para transtorno do pânico

Crises não têm gatilho específico, então não é possível prever quando acontecerão

Um estudo da Faculdade de Medicina da USP revelou que exercícios breves e intensos são mais eficazes que o que o tratamento tradicional de relaxamento em casos de transtorno do pânico.

Segundo o psiquiatra Alan Campos Luciano, membro do instituto de psiquiatria da universidade, “a crise de pânico é caracterizada por uma sensação de que vai ter algum evento grave no corpo, um ataque do coração, morrer ou vai perder o controle, ficar louco, associada a sensações do corpo, como coração acelerado, sensação de sufocamento, nó na garganta, sensação de formigamento nas extremidades”.

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Já o transtorno do pânico, segundo ele "é caracterizado por várias crises de pânico”. O médico detalha que essas crises não têm gatilho específico, então não é possível prever quando acontecerão.

Além das sensações do corpo listadas pelo psiquiatra, os ataques de pânico também causam hipervigilância em relação a esses sintomas. “A pessoa tende a ficar mais alerta quanto aos batimentos do coração, se o coração está acelerando ou não, aos movimentos respiratórios, se o movimento está ficando mais rápido, se tem sensação de sufocamento”.

Isso faz com que o paciente comece a apresentar erros cognitivos de interpretação, apresentando pensamentos como “esses sinais do próprio corpo, ele passa a considerar, ‘ah, meu coração está batendo mais forte, será que eu tenho alguma coisa errada no meu corpo? Será que eu estou tendo um ataque do coração, alguma coisa assim?”, diz o psiquiatra.

A relação com o exercício físico está justamente nessas sensações. “O paciente tem que aprender emocionalmente uma memória implícita, não explícita, que essas sensações do corpo são normais em algumas situações, que elas não são ameaçadoras”, explica o médico.

O profissional finaliza alertando sobre a importância do tratamento. “Sem tratamento, mais da metade dos casos tende a cronificar. E voltar a ter novos episódios ao longo da vida, ou seja, é essencial um diagnóstico e um tratamento corretos, uma avaliação adequada para buscar o melhor caminho, seja com psicoterapia, seja com protocolo de exposição com exercícios, seja até com medicação, se for o caso. Cada perfil de paciente específico merece uma avaliação individualizada para direcionar o melhor tratamento”.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

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