Vacina brasileira contra dengue tem 80,5% de proteção contra casos graves, diz pesquisa

Resultados de ensaio clínico mostram que imunizante também alcançou 65% de eficácia contra dengue sintomática

O Ministério da Saúde começou a vacinação em janeiro deste ano em Nova Lima (MG).

A vacina tetravalente contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), apresentou eficácia de 80,5% contra casos graves da doença e aqueles com sinais de alarme ao longo de cinco anos. Os resultados do ensaio clínico de fase 3 foram publicados nessa quarta-feira (4) na revista científica Nature Medicine.

O estudo teve financiamento do Ministério da Saúde, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Fundação Butantan. A pesquisa foi conduzida em 16 centros distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. Entre fevereiro de 2016 e julho de 2019, participaram do estudo 16.235 pessoas com idades entre 2 e 59 anos. Do total, 10.259 receberam a dose única da vacina e 5.976 receberam placebo.

Segundo os pesquisadores, não houve registro de internações entre os participantes vacinados. No grupo que recebeu placebo, foram registrados oito casos de hospitalização. Em relação à eficácia geral na prevenção da dengue sintomática — independentemente do sorotipo do vírus —, o imunizante apresentou índice de 65% durante os cinco anos de acompanhamento.

Batizada de Butantan-DV, a vacina foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26 de novembro de 2025 para uso na população entre 12 e 59 anos. Desde então, o instituto já enviou 1,3 milhão de doses para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável pela distribuição ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O Ministério da Saúde iniciou a vacinação em janeiro deste ano nas cidades de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), em um projeto-piloto que pretende imunizar 90% do público-alvo nesses municípios. Em 9 de fevereiro, também começou a vacinação de profissionais de saúde da Atenção Básica.

A vacina é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

O imunizante utiliza vírus vivos atenuados — enfraquecidos em laboratório — que não causam a doença, mas estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos. A tecnologia empregada tem como base pesquisas desenvolvidas pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

Para os sorotipos DENV-1, DENV-3 e DENV-4, a vacina utiliza genomas quase completos dos respectivos vírus. Já para o DENV-2, a proteção é construída por meio de um vírus quimérico, que combina proteínas de superfície desse sorotipo com a estrutura atenuada do vírus DENV-4.

Após a aplicação, ocorre uma replicação controlada desses vírus atenuados no organismo, processo conhecido como viremia vacinal. Isso estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos neutralizantes específicos para cada um dos quatro sorotipos. Segundo a diretora médica de Ensaios Clínicos do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, a vacina representa um avanço importante no combate à doença no país.

“Esta vacina se consolida como uma ferramenta de grande importância no combate à dengue no Brasil, com potencial para contribuir para a diminuição da circulação do vírus, para além da proteção individual”, afirmou à assessoria de comunicação do instituto.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o ‘Tá Sabendo’ no Instagram da Itatiaia.

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