Por que crianças menores de 2 anos não devem consumir açúcar? Especialista explica
Cirurgiã-dentista aponta riscos do consumo precoce de doces para a saúde bucal e do organismo da criança

Os dentistas, assim como os pediatras, não recomendam a ingestão de açúcar para crianças com menos de dois anos. Esse período é fundamental para o desenvolvimento dos hábitos alimentares, do organismo e da saúde bucal.
“Nessa fase, não existe qualquer necessidade nutricional para oferecer açúcares livres ou alimentos com adição de açúcar. Pelo contrário: a introdução precoce aumenta o risco de cárie na primeira infância, favorece a preferência por alimentos excessivamente doces e pode contribuir para o desenvolvimento de excesso de peso, obesidade e outras doenças crônicas ao longo da vida”, alerta a cirurgiã-dentista Karla Magalhães Alves, que também é mestre em Odontopediatria.
O gosto por alimentos ricos em açúcar não é natural do bebê, que nasce com preferência pelo leite materno e pelas frutas. O hábito de comer doces é ensinado pelos adultos.
"Do ponto de vista da odontologia, a preocupação é ainda maior porque, assim que os primeiros dentes erupcionam, eles passam a ficar expostos às bactérias naturalmente presentes na boca. Quando essas bactérias entram em contato frequente com açúcares, produzem ácidos que desmineralizam o esmalte dental, iniciando o processo da cárie. Em crianças pequenas, essa evolução pode ser rápida, causando dor, dificuldade para mastigar, alterações do sono, prejuízos ao crescimento, ao desenvolvimento e à qualidade de vida", explica a especialista.
A dentista lembra que o açúcar não está presente apenas em sobremesas, como doces e chocolates. Ele também aparece em grandes quantidades em biscoitos, cereais infantis, bebidas industrializadas, iogurtes adoçados, sobremesas lácteas e diversos alimentos ultraprocessados.
"A recomendação de não oferecer açúcar para crianças menores de dois anos é respaldada por importantes instituições de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde. Trata-se de uma medida simples, mas com enorme impacto na prevenção de doenças, na promoção da saúde bucal e na construção de hábitos saudáveis", orienta a especialista.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



