Belo Horizonte
Itatiaia

Polilaminina: estudo avança para publicação científica, segundo pesquisadora

Tatiana Sampaio, à frente da pesquisa com a substância, não especificou quando o estudo será publicado

Por
Polilaminina
Divulgação/ Cristália

A pesquisadora Tatiana Sampaio, que comanda o estudo com a polilaminina, afirmou que a pesquisa será publicada em uma revista científica após revisão de pares. Essa fase consiste na avaliação do trabalho por outros especialistas da mesma área, que atestam o rigor do conteúdo antes da publicação.

Segundo informações do g1, a pesquisa da cientista havia sido recusada antes por duas revistas diferentes, e ela admitiu erros no texto. Agora, ela diz que o estudo será publicado, mas não deu detalhes.

Quando o texto foi rejeitado, a pesquisadora identificou erros na taxa de recuperação de pacientes usada como referência no trabalho. Além disso, não havia registro prévio do ensaio clínico em um banco internacional de pesquisas.

Antes de a polilaminina ser autorizada para tratamento, ela precisa passar pelas fases de ensaios clínicos regulatórios em humanos, divididas em três fases. A primeira já foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está sendo analisada pela comissão de ética do órgão.

Depois, é preciso ampliar os testes nas fases dois e três. Nessa etapa, avalia-se a eficácia, as doses adequadas e os efeitos adversos em populações maiores. O último passo, em caso de aprovação dos ensaios clínicos, é solicitar o registro sanitário.

O que é polilaminina?

A polilaminina surgiu como esperança para pacientes com lesões graves na medula. A laminina, que é a base da substância desenvolvida em laboratório, é produzida no corpo humano, principalmente na placenta. Ao longo do desenvolvimento do embrião, a proteína organiza os tecidos e coordena o crescimento das células.

A polilaminina é um complexo dessa proteína que oferece suporte às células nervosas da medula lesionada. Com essa ajuda, os axônios conseguem restabelecer a conexão com o neurônio perdida na lesão, recuperando a capacidade de movimento.

Para isso, os cientistas extraíram a proteína da placenta de mulheres que foram convidadas a doar o órgão. A partir daí, inicia-se o processo de extração e purificação. Durante cirurgia, médico aplica polilaminina, formando 'rede' no local.

A substância ainda não é comercializada, mas seu uso é autorizado em casos específicos pela Anvisa. Nesses casos, os médicos fazem o uso compassivo do medicamento. O tratamento utiliza produtos de terapia avançada ainda não registrados e em fase de desenvolvimento.

Para usar a substância, as empresas de pesquisa clínica ou de comercialização de produtos de terapias avançadas devem solicitar autorização. Para isso, é necessário possuir CNPJ cadastrado na Anvisa e usuário com perfil ou vínculo apropriado para acesso ao sistema Solicita.

Por

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.