Novo medicamento pode reduzir risco de recorrência de AVC, diz estudo internacional

Pesquisadores apresentaram resultados nos Estados Unidos; medicação atua como anticoagulante específico e inovador

Novo medicamento pode reduzir risco de um segundo AVC

Na última semana, em New Orleans, nos Estados Unidos, pesquisadores divulgaram os resultados do estudo internacional Oceanic-Stroke no Congresso Americano de AVC. A pesquisa avaliou o asundexian, uma nova molécula capaz de prevenir um segundo acidente vascular cerebral (AVC) sem aumentar o risco de sangramento, um dos principais efeitos adversos das terapias atualmente disponíveis.

Segundo o neurologista Octávio Pontes Neto, que definiu a apresentação como “um momento histórico”, o estudo preenche uma lacuna na neurologia vascular: a prevenção de um segundo AVC em pacientes que sofreram AVC isquêmico não cardioembólico, ou seja, sem relação com arritmias cardíacas.

O asundexian pertence a uma nova classe de anticoagulantes orais que atuam de forma específica no fator XIa da coagulação sanguínea. “A proposta é bloquear a formação de trombos patológicos, responsáveis pelo AVC, sem interferir na coagulação normal, que protege contra sangramentos. Agora contamos com um estudo de fase três com resultados claros”, afirma Pontes.

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O medicamento é administrado uma vez ao dia e indicado para prevenção secundária do AVC. Diferente dos anticoagulantes tradicionais, que aumentam significativamente o risco de hemorragias, o asundexian age em um alvo específico, reduzindo a formação de coágulos patológicos sem impactar de forma relevante a hemostasia.

O estudo Oceanic-Stroke, conduzido entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2025, incluiu mais de 12 mil pacientes em 37 países, incluindo o Brasil. Todos haviam sofrido AVC isquêmico não cardioembólico ou ataque isquêmico transitório (AIT) de alto risco e já faziam uso de terapia antiplaquetária.

Os resultados mostraram que o asundexian reduziu em cerca de 26% o risco de um novo AVC isquêmico em comparação ao placebo. Além disso, observou-se redução nos AVCs mais graves, aqueles que deixam sequelas ou podem levar à morte.

Para Pontes, o dado mais relevante foi o perfil de segurança. “Não houve aumento significativo de sangramentos, nem mesmo de hemorragias cerebrais, que sempre foram a maior preocupação com anticoagulação após um AVC”, afirma.

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O neurologista afirma que o estudo abre caminho para uma nova classe de medicamentos na prevenção secundária do AVC. “Ainda não é uma opção imediata na prática clínica, mas oferece evidências de que é possível reduzir ainda mais o risco de recorrência sem aumentar o sangramento”, finaliza.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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