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Introdução alimentar precoce pode causar maior risco de doença inflamatória intestinal, diz pesquisa

Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade

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Resultados mostram que comer comida sólida entre 3 e 6 meses de idade pode aumentar risco de desenvolver doença de Crohn • Freepik

A introdução alimentar é o processo de iniciar alimentos sólidos na dieta do bebê, além do leite materno. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade porque, nessa fase, o alimento fornece todos os nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento adequado da criança.

Os pesquisadores à frente do estudo analisaram dados de cerca de 400 mil pessoas nascidas entre 1970 e 1974 e acompanhadas até 2014. Nesse período, encontraram 2.334 casos de doença de Crohn e 1.043 de colite ulcerativa. Desses, foram incluídos no estudo 1.212 indivíduos com doença de Crohn e 570 com colite ulcerativa. Eles responderam a questionários sobre amamentação e introdução de alimentação sólida na dieta de quando eram crianças. Os dados foram comparados a 946 voluntários sem essas doenças.

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Os resultados mostram que aqueles que começaram a comer comida sólida entre 3 e 6 meses de idade tiveram maior risco de desenvolver a doença de Crohn do que os que receberam esses alimentos após os 6 meses. O aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida também demonstrou ser protetor.

“Sabe-se que essas doenças são influenciadas por fatores externos em pessoas que provavelmente têm alguma predisposição e, por isso, certas proteínas da alimentação e a microbiota podem ter papel no desenvolvimento delas”, avalia o gastroenterologista Rafael Ximenes, do Hospital Israelita Albert Einstein em Goiânia. “No entanto, não podemos afirmar que a introdução precoce de dieta sólida aumenta esse risco, porque o estudo não é conclusivo e a própria análise estatística apenas mostrou uma tendência.”

Quando deve ser a introdução alimentar?

O Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que a introdução da alimentação complementar seja feita aos 6 meses, inclusive para crianças que consomem fórmula infantil. É nesse período que “o desenvolvimento neuropsicomotor e os sistemas digestivo e renal estão plenamente prontos para receber alimentos diferentes dos líquidos", diz a entidade no Guia Prático de Alimentação da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Introduzir alimentos antes dessa fase pode levar à redução da ingestão do leite materno. Além disso, a imaturidade gastrointestinal e imune podem levar ao desenvolvimento de infecções e alergias.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.