Angioedema hereditário: doença rara pode ser confundida com alergia e atrasar diagnóstico
Inchaços recorrentes, dores abdominais intensas e falta de resposta a antialérgicos estão entre os sinais de alerta para a condição genética que afeta a qualidade de vida

O angioedema hereditário, uma doença genética rara que provoca episódios recorrentes de inchaço no corpo, ainda enfrenta dificuldades para ser identificado corretamente e costuma ser confundido com reações alérgicas comuns. Especialistas alertam que o diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações graves e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
A doença ocorre principalmente por alterações em uma proteína chamada inibidor de C1, responsável pelo controle da inflamação no organismo. Quando ela não funciona adequadamente, os vasos sanguíneos liberam líquido para os tecidos, provocando os inchaços característicos da condição.
Os episódios podem surgir após situações de estresse, infecções, procedimentos odontológicos ou mudanças hormonais. Em muitos casos, porém, não há uma causa aparente. O problema é que os sintomas frequentemente levam a diagnósticos errados, atrasando o tratamento adequado.
Entre os sinais mais comuns estão inchaços nas mãos, pés, lábios e pálpebras. A doença também pode atingir o sistema gastrointestinal, causando dores abdominais intensas, náuseas, vômitos e diarreia. Essas manifestações digestivas podem ser confundidas com outras enfermidades e até levar pacientes a internações e cirurgias desnecessárias.
Especialistas ressaltam, ainda, que os tratamentos tradicionais usados contra alergias, como antialérgicos, corticoides e adrenalina, não costumam funcionar em pessoas com angioedema hereditário. Por isso, a ausência de resposta aos medicamentos deve servir como um sinal de alerta para investigação médica mais aprofundada.
O médico especializado em alergia e imunologia Daniel Osvaldo Vazquez afirmou, ao Infobae, que "quando uma pessoa procura atendimento por inchaços recorrentes e os tratamentos habituais para alergia não funcionam, é fundamental suspeitar de angioedema hereditário". Ele também destacou que chegar ao diagnóstico correto pode transformar a rotina do paciente e de seus familiares.
A doença pode se manifestar desde a infância e tende a piorar durante a adolescência. Como é hereditária, basta que um dos pais tenha o gene responsável para que os filhos possam herdar a condição. Ainda assim, também existem casos provocados por mutações genéticas espontâneas.
Médicos alertam que o quadro pode se tornar perigoso quando o inchaço atinge a garganta, aumentando o risco de asfixia. Por isso, reconhecer os sintomas precocemente e buscar acompanhamento especializado são medidas consideradas fundamentais para evitar complicações graves.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



