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Estudo do Inca defende que ações de combate ao fumo incluam foco na saúde da população LGBTI+

Levantamento acendeu um alerta ao constatar que índices de consumo de derivados do tabaco são significativamente maiores entre pessoas homossexuais e bissexuais

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Políticas antitabaco devem ser integradas à saúde da população LGBTI+ • Reprodução / Freepik

Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela a urgência de que as estratégias nacionais de combate ao tabagismo passem a dialogar diretamente com as políticas de saúde voltadas à população LGBTI+. O levantamento acendeu um alerta ao constatar que os índices de consumo de derivados do tabaco são significativamente maiores entre pessoas homossexuais e bissexuais em comparação com a população heterossexual.

O estudo inédito apresentado nessa quinta-feira (25) utilizou como base de dados o módulo de orientação sexual da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), coletado pelo IBGE. A partir desse cruzamento de dados, os pesquisadores conseguiram traçar um panorama detalhado sobre como o tabagismo afeta de maneira desproporcional as minorias sexuais no país.

O peso do preconceito no consumo do tabaco

De acordo com os especialistas do Inca, a maior vulnerabilidade dessa população ao fumo não decorre de fatores biológicos, mas sim do chamado "estresse de minoria". Trata-se do desgaste psicológico e social crônico provocado pelo preconceito, pela discriminação e pelo medo da violência que pessoas LGBTI+ enfrentam rotineiramente. Nesse cenário de vulnerabilidade mental, o cigarro e outros produtos com nicotina acabam sendo utilizados, muitas vezes, como uma válvula de escape ou uma ferramenta inadequada para o alívio da ansiedade.

Além do sofrimento psicossocial, o estudo aponta o peso das estratégias comerciais das indústrias do tabaco, que historicamente direcionam campanhas de marketing voltadas para o público jovem e para espaços de sociabilidade frequentados por essa comunidade, como festas e ambientes noturnos.

Adaptação das políticas públicas

Diante dos resultados, o Inca destaca a necessidade de modernizar as diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo. A principal recomendação é capacitar os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) para que ofereçam um atendimento humanizado, acolhedor e livre de estigmas, permitindo que pacientes LGBTI+ se sintam seguros ao buscar tratamentos para a cessação do tabagismo.

O instituto reforça que o combate ao fumo só alcançará sua eficácia máxima quando as campanhas de prevenção e os programas de apoio considerarem as especificidades sociais e as diferentes realidades de toda a população brasileira.

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