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Microagulhamento caseiro pode provocar infecções e piorar cicatrizes, alerta especialista

Uso de rolinhos com agulhas sem orientação médica aumenta o risco de novas lesões na pele, manchas e até transmissão de doenças

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O uso de aparelhos de microagulhamento vendidos pela internet para aplicação em casa tem preocupado especialistas. Embora a técnica seja conhecida por ajudar no tratamento de cicatrizes, rugas e manchas quando realizada por profissionais capacitados, a versão caseira pode causar complicações importantes, como infecções, novas cicatrizes e danos permanentes à pele.

O alerta foi feito pelo cirurgião dermatológico Emerson de Andrade Lima durante o programa Bem Estar, da Globo, ao explicar que muitos dos dispositivos comercializados para uso doméstico não possuem a qualidade necessária para perfurar a pele de forma adequada.

Segundo o especialista, em vez de estimular uma cicatrização controlada, esses equipamentos podem rasgar a pele, favorecendo o aparecimento de manchas e cicatrizes ainda mais evidentes.

Além dos danos locais, o uso inadequado também aumenta o risco de infecções por bactérias, incluindo micobactérias, que podem exigir tratamento prolongado com antibióticos. O médico também chama atenção para outro perigo: compartilhar esses aparelhos entre diferentes pessoas pode facilitar a transmissão de doenças.

Outro fator que preocupa é a aplicação de produtos na pele logo após o microagulhamento. De acordo com o especialista, cosméticos destinados ao uso doméstico podem não apresentar a esterilidade necessária para esse tipo de procedimento, elevando as chances de queimaduras, infecções e outras complicações.

Cicatrizes

As cicatrizes surgem como parte do processo natural de recuperação da pele após cirurgias, queimaduras, acne, acidentes ou outros traumas. Durante esse processo, o organismo produz um tecido diferente da pele original, que pode apresentar alterações de cor, espessura, textura e elasticidade.

Segundo Emerson de Andrade Lima, essas marcas podem causar impactos físicos e emocionais. Dependendo da região afetada, uma cicatriz pode limitar movimentos, provocar dor, coceira e até comprometer funções do corpo, como o fechamento da boca ou o movimento de braços e pernas.

Além disso, muitas pessoas convivem com o desconforto emocional provocado pelas lembranças associadas ao trauma que originou a cicatriz.

Nem toda cicatriz evidente é um queloide

O especialista também esclarece uma confusão comum. Embora muitas pessoas utilizem o termo queloide para qualquer cicatriz alta, o queloide possui características específicas.

Trata-se de uma lesão endurecida, elevada e avermelhada que ultrapassa os limites do ferimento original e costuma provocar sintomas como dor e coceira, principalmente em áreas como tórax e mamas.

A predisposição possui influência genética e é mais frequente em pessoas de pele preta ou parda, embora também possa ocorrer em pessoas de pele clara.

Estrias

Outro ponto destacado pelo médico é que as estrias também fazem parte do grupo das cicatrizes. Elas aparecem após o rompimento das fibras da pele, situação comum durante a gravidez, após ganho de peso ou crescimento muscular intenso.

Inicialmente avermelhadas, costumam ficar esbranquiçadas com o passar do tempo e podem receber tratamentos semelhantes aos utilizados para outros tipos de cicatriz.

Tratamento de cicatrizes

Não existe um único procedimento capaz de tratar todos os tipos de cicatriz. A escolha varia conforme as características de cada caso.

Entre as opções estão laser, luz intensa pulsada, placas e géis de silicone, hidratação, infiltrações, técnicas cirúrgicas específicas e o próprio microagulhamento, desde que realizado por profissionais habilitados e em ambiente adequado.

O objetivo é tornar a cicatriz o mais semelhante possível à pele normal, mesmo que o tecido nunca recupere completamente suas características originais.

Cicatrização

O médico destaca que os cuidados devem começar logo após uma cirurgia ou qualquer outro trauma na pele.

Seguir corretamente as orientações médicas, proteger a região do sol, utilizar placas ou géis de silicone quando indicados, manter a hidratação e evitar esforços que provoquem tensão sobre a cicatriz podem contribuir para um resultado melhor.

Também é importante procurar avaliação médica caso a cicatriz apresente vermelhidão intensa, aumento exagerado de volume ou outras alterações inesperadas.

Segundo Emerson de Andrade Lima, o processo de amadurecimento de uma cicatriz pode continuar por até dois anos. Mesmo marcas antigas, deixadas por acne, queimaduras ou acidentes, ainda podem apresentar melhora com o tratamento adequado.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.