CART-T Cell: tratamento inovador contra câncer avança para incorporação ao SUS
Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 10 milhões na terapia que é prioridade na Anvisa

O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (10), que vai investir R$ 10 milhões na terapia CART-T Cell, tratamento nacional promissor para cânceres do sangue. O procedimento entrou no fluxo prioritário do Comitê de Inovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
"Com isso, o registro desse produto para o SUS pode sair mais rápido. Isso significa que teremos no SUS uma terapia que custa hoje em torno de US$ 500 mil (R$ 2,8 milhões). A pessoa vai se tratar em outros países, nos Estados Unidos, paga do próprio bolso US$ 500 mil. Nós vamos ter isso no SUS de graça", anunciou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva de imprensa em Ribeirão Preto (SP).
Resultados de estudos desenvolvidos pelo Instituto Butantan em parceria com o Hemocentro de Ribeirão Preto apontam que 87% dos pacientes tratados com CAR-T Cell tiveram sucesso no tratamento contra linfoma. Além disso, aproximadamente nove em cada 10 pacientes tiveram redução significativa ou desaparecimento do tumor após o tratamento.
Para que o tratamento seja incorporado ao SUS, é necessária a conclusão do estudo em todos os pacientes submetidos à terapia. "Em geral, as regras do registro exigem um ano de acompanhamento desses pacientes. Você tem mais um ano de acompanhamento para ver se esses resultados se confirmam, da remissão desse tipo de câncer, no caso, o linfoma. E aí faz o registro na Anvisa e, a partir desse registro, já pode ser incorporado no Sistema Único de Saúde", detalha Alexandre Padilha.
O que é a terapia CAR-T Cell
Segundo o Instituto Butantan, "por meio da coleta do sangue, as células T do paciente são isoladas e modificadas, tornando-se CAR-T. Depois, são reinseridas no organismo e atacam o câncer sem afetar as células saudáveis".
Os linfócitos T são os responsáveis por combater agentes patogênicos e matar células infectadas. Eles são “reprogramados” e retornam ao organismo do paciente mais fortes. O processo todo, desde a coleta, modificação das células e aplicação no paciente, pode durar cerca de 60 dias.
Até o momento, a terapia demonstrou sucesso contra leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não-Hodgkin de células B. A terapia vem sendo testada no Brasil desde 2019 em pacientes que haviam esgotado as demais opções de tratamento.
Entre as vantagens do tratamento, o Butantan destaca:
- Reduz o uso de remédios para a dor;
- Diminui a necessidade de sessões de quimioterapia;
- Possibilidade de remissão total ou parcial do câncer.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



