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Canetas emagrecedoras causam dependência? Especialista explica

Médica esclarece por que os pacientes voltam a ganhar peso após interromper o tratamento

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Imagem ilustrativa de caneta emagrecedora
Medicamento é obtido por meio de contrabando e sites irregulares • Unsplash

As chamadas “canetas emagrecedoras” não causam dependência química, segundo a médica Eliana Teixeira, pós-graduada em endocrinologia e nutrologia e especialista em emagrecimento. Medicamentos como os agonistas do receptor de GLP-1 e outras terapias incretínicas não provocam o tipo de vício associado a substâncias que atuam nos circuitos cerebrais de recompensa.

A dúvida costuma surgir porque algumas pessoas recuperam parte do peso após interromper o tratamento. Segundo a especialista, isso não significa que o organismo tenha ficado “viciado” no medicamento.

“É muito importante diferenciar dependência de recorrência da doença. A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Ela envolve mecanismos hormonais, metabólicos, genéticos, comportamentais e ambientais que não necessariamente desaparecem porque o paciente emagreceu”, explica.

Os medicamentos atuam justamente sobre parte desses mecanismos, aumentando a saciedade, reduzindo a fome e auxiliando no controle da ingestão alimentar. Com a interrupção, esses efeitos também deixam de existir. “Recuperar peso depois de suspender a medicação não significa, por si só, que o organismo ‘ficou viciado’ na caneta”, afirma Eliana.

A duração do tratamento varia conforme o paciente. A decisão considera a indicação médica, a resposta ao medicamento, possíveis efeitos adversos, doenças associadas e estratégias de manutenção de peso.

A especialista também diferencia dependência química de dependência psicológica ou comportamental. Algumas pessoas podem sentir insegurança ou medo de recuperar o peso após interromper a medicação, mas isso é diferente de um quadro de vício provocado pela substância.

Outro ponto de atenção é o uso sem indicação e sem acompanhamento profissional. “Um dos maiores problemas atualmente não é a dependência química causada pelas canetas, mas o uso sem indicação, sem acompanhamento e com expectativas irreais”, alerta.

Para Eliana, o medicamento deve ser encarado como parte de um tratamento mais amplo. “Alimentação adequada, atividade física, preservação ou ganho de massa muscular, sono de qualidade, saúde emocional e acompanhamento médico continuam sendo fundamentais.”

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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