Um doce que nasceu na Sicília e virou patrimônio da confeitaria
Os cannoli são uma das sobremesas mais emblemáticas da Itália. Originários da Sicília, especialmente das cidades de Palermo e Messina, eles consistem em uma massa doce frita em formato de tubo, recheada tradicionalmente com creme de ricota. O nome no singular é cannolo, enquanto o plural, mais conhecido, é cannoli.
Historicamente, o doce era preparado durante o Carnevale italiano. Muitos estudiosos apontam que ele simbolizava fertilidade e abundância, sendo consumido em celebrações populares. Com o tempo, deixou de ser uma receita sazonal e passou a fazer parte da confeitaria siciliana o ano inteiro.
Receita de Cannoli o doce siciliano que conquistou o mundo
Um doce antigo, citado desde a Roma Antiga
A origem do cannolo é muito antiga. Embora a receita tenha recebido influências gregas e árabes, há registros anteriores à dominação árabe da Sicília. No ano 75 d.C., o orador romano Marco Túlio Cícero mencionou um doce semelhante ao cannolo, descrevendo-o como um “tubus farinarius, dulcissimo, edulio ex lacte factus”, ou seja, um tubo doce de massa recheado com creme à base de leite.
Esse registro histórico reforça como o conceito do cannoli atravessa séculos e civilizações, evoluindo até se tornar o doce icônico que conhecemos hoje.
A imigração italiana levou o cannoli ao mundo
Com a grande imigração italiana do século XIX, o cannoli ganhou novos territórios. Nos Estados Unidos, especialmente em cidades como Nova York e Boston, o doce virou símbolo das comunidades italianas. Lá, surgiram adaptações na receita, já que nem sempre os imigrantes encontravam os
A ricota continuou sendo comum, mas o mascarpone apareceu como alternativa em algumas versões. Além disso, os recheios passaram a variar bastante, incluindo chocolate, pistache, frutas cristalizadas e até versões mais modernas.
No Brasil, o cannoli também ganhou tradição própria
Aqui no Brasil, o cannoli encontrou espaço principalmente em bairros com forte influência italiana. Um dos exemplos mais conhecidos é a tradição de vender cannoli nos intervalos dos jogos do Clube Atlético Juventus, no Estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, na Mooca, em São Paulo.
Outro ponto famoso é a feira de antiguidades da Praça Dom Orione, no Bixiga, onde o doce costuma aparecer aos domingos. Esses locais ajudaram a manter viva a tradição do cannoli no país, aproximando a sobremesa da memória afetiva de muita gente.
A receita tradicional mantém o espírito artesanal
A base do cannoli continua simples, mas exige técnica. A massa é feita com farinha, sal e água, aberta bem fina e frita até ficar dourada e crocante. Depois de fria, recebe o recheio cremoso, que pode variar conforme a tradição familiar ou regional.
O preparo envolve três etapas principais:
Massa
Mistura-se farinha, sal e água até formar uma massa homogênea. Depois do descanso, ela é aberta bem fina, cortada e enrolada em tubos metálicos próprios para fritura.
Recheio
O recheio tradicional leva açúcar, farinha, água, essência de baunilha e corante suave. Cozido até atingir
Montagem
Após fritar a massa e deixá-la esfriar, o recheio é colocado no interior do tubo. Finaliza-se com açúcar polvilhado e, se desejar, chocolate em pó ou outras variações.
Mais que uma sobremesa, um símbolo cultural
O cannoli não é apenas um doce. Ele representa tradição, memória e identidade. Da Sicília antiga às feiras brasileiras, passando pelas padarias americanas, o doce mantém viva uma história que mistura imigração, adaptação e celebração.
É esse percurso que transforma o cannoli em algo maior que uma