Peaky Blinders: a série que mostra o glamour dos anos 20

Crime, moda e arte revelam a transformação da Europa pós guerra

Peaky Blinders a série que mostra o glamour dos anos 20

Uma série que vai além da maratona de fim de semana

Em dias chuvosos, muita gente corre para o sofá e liga uma série. Mas algumas produções vão além do entretenimento fácil. Peaky Blinders é uma delas. O drama britânico ambientado em 1919 acompanha a ascensão de uma gangue de origem cigana em Birmingham, no momento em que a Europa ainda tenta se reorganizar depois da Primeira Guerra Mundial.

Peaky Blinders a série que mostra o glamour dos anos 20

A trama mistura negócios ilegais, disputas políticas e relações familiares intensas, mas o que realmente diferencia a série é o contexto histórico. Não é apenas uma história de crime. É um retrato de um continente em transformação.

A gangue que existiu e virou lenda

A série se inspira em um grupo real que atuou na Inglaterra no final do século XIX e início do XX. Segundo relatos populares, os membros da gangue usavam chapéus com lâminas costuradas, o que teria originado o nome Peaky Blinders. A ideia mistura fato e mito, mas ajuda a construir a atmosfera brutal que envolve a narrativa.

Esse pano de fundo contribui para a força da série. O espectador não vê apenas personagens fictícios, mas ecos de um período em que o crime organizado crescia junto com as cidades industriais.

Os anos 20 como revolução cultural

O cenário pós guerra trouxe mudanças profundas no comportamento europeu. A tecnologia avançava, os aviões começavam a circular comercialmente, os automóveis evoluíam e o cinema deixava de ser mudo. Ao mesmo tempo, a música passava por uma explosão criativa, com jazz e blues dominando o imaginário urbano.

Na dança, o Charleston simbolizava uma geração que queria romper com o passado. Na moda, nomes como Coco Chanel redefiniam o vestuário feminino, abandonando silhuetas rígidas e apostando em liberdade de movimento. Esse ambiente aparece na série não apenas como cenário, mas como linguagem visual.

O Art Déco como marca estética da época

Peaky Blinders também funciona como um mergulho no Art Déco, estilo que dominou arquitetura, design e decoração nos anos 20. Linhas geométricas, formas estilizadas, materiais modernos e tons metálicos ajudaram a afastar a estética clássica do século XIX.

O movimento recebeu influências de diversas culturas e correntes artísticas, incluindo referências orientais, egípcias e astecas, além de dialogar com o cubismo, futurismo e modernismo. Materiais como bronze, mármore, prata e concreto armado passaram a definir a paisagem urbana. Arquitetos como Le Corbusier já começavam a moldar essa nova visão de mundo.

Mais que uma série, uma experiência visual

Talvez seja por isso que Peaky Blinders tenha conquistado tanta gente. Ela não oferece apenas uma narrativa envolvente. Ela convida o espectador a experimentar o espírito de uma década marcada por contraste entre glamour e violência, elegância e brutalidade.

A família Shelby encarna esse momento histórico. Seus ternos impecáveis, seus conflitos internos e suas estratégias arriscadas traduzem um período em que tudo parecia possível, desde ascensão social até queda repentina.

E no meio de tiros, negociações e silêncios tensos, a série acaba funcionando como um portal para um tempo em que a modernidade nascia sob o som do jazz e o peso de navalhas escondidas sob o chapéu.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

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