Bed rotting: por que jovens estão escolhendo ficar deitados

Descanso vira resposta à pressão digital e à rotina acelerada

Bed rotting por que jovens estão escolhendo ficar deitados

O descanso virou prioridade e não mais culpa

Ficar deitado por horas, sem obrigação imediata, já foi visto como preguiça. Hoje, para parte dos jovens, virou estratégia de sobrevivência emocional. O fenômeno chamado de bed rotting, que viralizou nas redes sociais, descreve exatamente isso: passar tempo na cama não apenas para dormir, mas para desacelerar a mente e recuperar energia mental.

O comportamento ganhou força especialmente entre a geração Z, que cresceu em meio a crises econômicas, excesso de informação, pressão por produtividade e hiperconectividade. Para muitos, o descanso deixou de ser luxo e passou a ser necessidade.

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O que é o bed rotting na prática

Não se trata de doença, nem de isolamento extremo. O conceito gira em torno de pausas intencionais. A pessoa se permite ficar na cama assistindo séries, ouvindo música, navegando no celular ou simplesmente sem fazer nada por um período.

A diferença é que isso não acontece por desmotivação, mas por escolha consciente. É uma tentativa de recuperar controle sobre o próprio ritmo.

Por que isso virou tendência entre jovens

O crescimento desse hábito tem ligação direta com mudanças no estilo de vida urbano.

Entre os fatores mais citados por especialistas estão:

excesso de estímulos digitais
jornadas de trabalho mais instáveis
ansiedade social crescente
sensação constante de cobrança por desempenho
dificuldade de desconectar da rotina

Nesse cenário, o descanso virou uma espécie de protesto silencioso contra a pressão diária.

O impacto das redes sociais na popularização

O termo se espalhou rapidamente porque muita gente se reconheceu nele. Vídeos curtos mostrando jovens passando o dia na cama, falando sobre cansaço emocional ou simplesmente registrando momentos de pausa, passaram a gerar identificação coletiva.

Ao contrário do que acontecia antes, quando o descanso era escondido, agora ele virou assunto público. Isso ajudou a normalizar a conversa sobre saúde mental e limites pessoais.

Descanso virou comportamento social

O bed rotting não surge sozinho. Ele faz parte de uma mudança maior no comportamento da nova geração. Jovens têm priorizado experiências simples, rotinas mais leves e consumo mais consciente de tempo.

Isso explica por que outras tendências cresceram junto:

busca por rotina mais equilibrada
preferência por encontros caseiros
aumento do consumo de conteúdos calmos
interesse por hábitos que reduzem ansiedade

Tudo aponta para um mesmo movimento: viver menos no piloto automático.

Existe risco nesse comportamento

Especialistas alertam que o descanso intencional é saudável, mas o isolamento prolongado pode indicar problemas emocionais mais profundos.

A diferença está no controle. Quando a pausa serve para recuperar energia, ela é positiva. Quando vira fuga constante da rotina, pode ser sinal de alerta.

O equilíbrio continua sendo o ponto central.

O que essa tendência revela sobre o futuro

O crescimento do bed rotting mostra que a nova geração está redefinindo o conceito de produtividade. Trabalhar sem parar já não é mais visto como sinal de sucesso. Cuidar da própria energia passou a ser prioridade.

Isso indica mudanças importantes no mercado de trabalho, na forma de consumir conteúdo e até na arquitetura das casas, que começam a valorizar mais o conforto e os espaços de descanso.

O recado que fica é claro: o descanso deixou de ser pausa e virou parte do estilo de vida.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

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