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Por que o coturno nunca sai de moda? Veja como usar o calçado

De origem militar e associados ao movimento punk, modelos com cadarço atravessam décadas e combinam com jeans, vestidos e diferentes estilos

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Moda coturno
Por que o coturno nunca sai de moda? Veja como usar o calçado • Ia

O coturno deixou de ser associado apenas a uniformes militares ou ao visual rock. Com diferentes formatos, materiais e alturas, o calçado atravessa décadas e continua aparecendo entre as opções para quem busca unir personalidade, conforto e versatilidade. Em 2026, a peça também acompanha o movimento da moda de recuperar referências de outras épocas e adaptá-las a produções contemporâneas.

A força do coturno está justamente na capacidade de mudar de aparência de acordo com a combinação. Com jeans, pode resultar em uma produção casual. Ao lado de vestido ou saia, cria contraste entre uma peça mais delicada e outra de aparência robusta. Já com jaqueta de couro e acessórios metálicos, reforça a estética inspirada no rock.

A permanência do modelo não é apenas uma impressão causada pelas vitrines. A edição 2026 do Pinterest Predicts aponta que referências de moda nostálgicas e estéticas marcadas por personalidade continuam mobilizando buscas na plataforma. O levantamento também identifica uma valorização de estilos que combinam elementos históricos com interpretações atuais.

O fenômeno ajuda a explicar por que peças consideradas clássicas continuam retornando às tendências. Em vez de desaparecer quando uma temporada termina, o coturno pode ser reinterpretado de acordo com novas cores, acabamentos, solados e proporções.

Da origem militar ao universo da moda

A história do coturno está relacionada à evolução dos calçados utilizados por militares. Botas resistentes, capazes de proteger os pés e oferecer estabilidade durante longos deslocamentos, passaram a integrar diferentes uniformes ao longo dos séculos. Com o tempo, características funcionais desses modelos foram incorporadas pela moda.

A estética militar ganhou novas interpretações principalmente durante o século 20. A partir dos anos 1970, botas pesadas e de cadarço também passaram a fazer parte da identidade visual de movimentos ligados à música e à contracultura. O punk britânico ajudou a transformar o calçado em símbolo de atitude e contestação.

A partir daí, o coturno passou a circular por diferentes grupos e estilos. O que antes remetia diretamente à função militar passou a representar também independência, rebeldia e personalidade.

Essa trajetória ajuda a entender a atual capacidade de adaptação do modelo. Hoje, existem versões com aparência robusta, opções mais delicadas, modelos de salto, cano curto ou longo e alternativas produzidas em diferentes materiais.

A moda contemporânea também se tornou menos dependente de uma única tendência. Uma mesma peça pode aparecer em propostas minimalistas, românticas, esportivas ou inspiradas no streetwear. O coturno se encaixa nesse comportamento porque não exige uma combinação específica para funcionar.

Como combinar coturno com diferentes peças

Uma das principais vantagens do calçado está na possibilidade de criar o chamado estilo hi-lo, que mistura peças de propostas diferentes na mesma produção. O coturno pode, por exemplo, acompanhar um vestido de tecido leve, criando contraste entre a delicadeza da roupa e o peso visual dos pés.

Com jeans, a combinação é ainda mais direta. Calças retas, wide leg, skinny ou modelos de cintura alta podem ser usadas com diferentes tipos de coturno. A escolha da modelagem altera o resultado final, mas mantém a proposta casual.

Para quem prefere uma produção mais urbana, uma jaqueta jeans ou de couro pode reforçar a identidade do calçado. Já peças de alfaiataria podem criar um contraste mais sofisticado, principalmente quando o coturno tem acabamento discreto e design menos robusto.

O comprimento da bota também interfere na composição. Modelos de cano curto tendem a ser mais fáceis de combinar com diferentes peças e podem aparecer tanto no inverno quanto em períodos de temperaturas amenas. 

Versões mais altas, por outro lado, chamam maior atenção para as pernas e funcionam bem com saias, vestidos e peças mais curtas. A escolha não precisa seguir regras rígidas. O mais importante é considerar proporção, conforto e a finalidade da produção.

Conforto também influencia a escolha

Apesar da aparência pesada, o coturno não precisa ser sinônimo de desconforto. A experiência depende de características como formato da bota, material, sola, palmilha e ajuste dos cadarços.

Para quem passa muitas horas em pé ou caminhando, observar esses detalhes antes da compra pode fazer diferença. Uma bota visualmente atraente, mas que aperta os dedos ou não oferece sustentação adequada, tende a ser menos aproveitada.

O comportamento do consumidor também favorece escolhas mais cuidadosas. O relatório The State of Fashion 2025, produzido pelo The Business of Fashion em parceria com a McKinsey, mostrou que consumidores passaram a demonstrar maior preocupação com o valor percebido das compras de moda e com a necessidade de gastar de maneira mais estratégica. O estudo identificou aumento da busca por produtos considerados relevantes e duráveis em diferentes mercados.

Nesse cenário, um calçado que pode ser usado com várias peças ganha vantagem. O coturno permite montar diferentes produções a partir de uma única peça, o que amplia suas possibilidades de uso.

A combinação entre história, identidade visual e versatilidade explica por que o coturno continua aparecendo no guarda-roupa de diferentes gerações. O modelo pode mudar de aparência, acompanhar novas tendências e ganhar materiais ou acabamentos diferentes, mas preserva características que ajudaram a transformá-lo em um clássico.

Mais do que uma bota associada ao inverno, o coturno se tornou uma peça de estilo. Com jeans, vestido, saia, alfaiataria ou jaqueta, ele pode assumir diferentes propostas e acompanhar quem prefere uma moda menos previsível. Para quem pretende investir em um calçado que atravesse temporadas, essa capacidade de adaptação continua sendo um dos principais argumentos a favor do modelo.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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