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Ozempic e Wegovy: efeitos colaterais e dúvidas que todo mundo tem sobre os remédios do momento

Entenda como funcionam os medicamentos, riscos e orientações de especialistas

Ozempic e Wegovy: efeitos colaterais e dúvidas que todo mundo tem sobre os remédios do momento

A popularidade explosiva dos remédios para emagrecer

Ozempic e Wegovy: efeitos colaterais e dúvidas que todo mundo tem sobre os remédios do momento

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Poucos medicamentos se tornaram tão comentados quanto Ozempic e Wegovy. Bastou que celebridades internacionais revelassem o uso para a perda de peso virar assunto nas redes sociais, consultórios e conversas de família. Os princípios ativos que compõem esses produtos – semaglutida, no caso do Ozempic, e doses específicas para obesidade no Wegovy – fazem parte de uma classe de medicamentos chamada agonistas do receptor GLP‑1. Embora sejam indicados principalmente para diabetes tipo 2, muitos profissionais passaram a prescrevê-los como recurso auxiliar no controle da obesidade. Mas junto com a promessa de emagrecimento vieram dúvidas sobre efeitos colaterais, contraindicações e riscos.

O que é o GLP‑1 e como esses remédios agem

GLP‑1 é um hormônio produzido naturalmente no intestino que ajuda a regular a saciedade, estimulando o pâncreas a liberar insulina e reduzindo o apetite. A semaglutida imita essa ação, prolongando a sensação de estômago cheio e diminuindo a vontade de comer. Em estudos clínicos, pacientes perderam em média de 10% a 15% do peso corporal ao longo de alguns meses. Por isso, Ozempic e Wegovy se tornaram opções desejadas por quem luta contra a balança, mesmo que não tenha diabetes.

Por que tanto interesse pelos medicamentos

Além dos resultados aparentes, esses remédios despertam curiosidade por causa da praticidade: bastam injeções semanais para manter o efeito. Influenciadores digitais, atrizes e figuras públicas confessaram o uso, ajudando a popularizar o tema. Segundo dados recentes, no Brasil a busca pelo termo “Ozempic emagrecimento” subiu mais de 300% no Google entre abril e julho de 2025. A facilidade de prescrição e o marketing indireto alimentaram a impressão de que se trata de uma solução simples, mas a realidade é mais complexa.

Os efeitos colaterais mais comuns

Um ponto que gera preocupação são os efeitos adversos. Entre os mais relatados estão náusea, diarreia, constipação, dor abdominal e perda de apetite intensa. Alguns pacientes relatam episódios de vômito, principalmente nas primeiras semanas de uso. O chamado “cabeça de Ozempic” — que se refere a sensação de tontura e fraqueza — também aparece em relatos informais. Especialistas lembram que esses desconfortos costumam melhorar com o tempo, mas é fundamental acompanhamento médico constante.

O impacto estético e a polêmica da flacidez

Outro assunto que circula nas redes sociais é a mudança estética após o emagrecimento rápido. Muitas pessoas notam flacidez acentuada no rosto e no corpo, efeito apelidado de “Ozempic face”. Essa situação não é exclusiva desses medicamentos, mas sim consequência de perdas de peso aceleradas. Em alguns casos, a reposição gradual de massa magra e a hidratação adequada podem reduzir o impacto.

Custos elevados e risco de desabastecimento

Outro ponto delicado é o preço. Uma caixa de Ozempic pode custar entre R$800 e R$1.200, e Wegovy chega a valores ainda mais altos. A procura excessiva gerou desabastecimento temporário em farmácias e clínicas, prejudicando pacientes diabéticos que precisam do remédio por indicação primária. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já discutiu estratégias para equilibrar demanda e fornecimento, mas o tema segue polêmico.

Quem pode e quem não deve usar

O uso deve ser restrito a pessoas com indicação médica clara. Pacientes com histórico de pancreatite, problemas graves de rim, gravidez ou risco de câncer de tireoide precisam de avaliação detalhada. Mesmo para quem tem indicação formal, a prescrição exige acompanhamento nutricional e monitoramento laboratorial. Jamais utilize medicamentos de terceiros ou compre sem receita – o risco de complicações pode ser alto.

Resultados e manutenção do peso

Outro aspecto importante é a manutenção do peso depois da interrupção do uso. Estudos mostram que muitos pacientes recuperam parte do peso perdido se não mantêm mudanças consistentes na alimentação e na rotina de exercícios. Por isso, profissionais de saúde alertam que o medicamento não substitui a reeducação alimentar e o acompanhamento multidisciplinar.

O que dizem os endocrinologistas

Para endocrinologistas, Ozempic e Wegovy representam uma inovação importante, mas precisam ser tratados com seriedade. Os resultados podem ser expressivos, mas não são mágicos. A perda de peso saudável requer acompanhamento personalizado, controle de exames e adaptação gradual de doses. Além disso, não se deve negligenciar suporte emocional, já que emagrecer mexe com autoestima e hábitos enraizados.

Cuidados com falsificações e vendas clandestinas

O mercado paralelo de medicamentos ganhou força com o boom do Ozempic. São frequentes denúncias de produtos falsificados vendidos pela internet, com riscos enormes à saúde. Se optar pelo uso, compre apenas em farmácias autorizadas e exija nota fiscal e embalagem lacrada. A Anvisa alerta que substâncias ilegais podem conter dosagens erradas ou contaminantes.

Alternativas seguras e acompanhamento

Quem não tem indicação para uso pode buscar opções menos radicais. Dietas hipocalóricas balanceadas, programas de atividade física e acompanhamento psicológico são estratégias consagradas. O importante é fugir de promessas milagrosas. Se decidir iniciar qualquer tratamento farmacológico, procure um endocrinologista ou nutrólogo com experiência no manejo de obesidade.

O futuro dos medicamentos para emagrecimento

A indústria farmacêutica trabalha em novas moléculas que podem superar a eficácia atual. A amicretina, por exemplo, já mostra resultados promissores, unindo mecanismos do GLP‑1 e da amilina para potencializar a perda de peso. Ainda em fase de testes avançados, ela pode chegar ao mercado nos próximos anos. Enquanto isso, Ozempic e Wegovy seguem como as opções mais discutidas – e também mais polêmicas – do momento.

Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Editor do Jornal Lagoa News. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.