Houve um tempo em que o surf e o skate eram vistos apenas como passatempos de rebeldia, ligados a uma contracultura jovem e, muitas vezes, marginalizada. As marcas que investiam ali eram apenas as do próprio nicho. Esse cenário mudou drasticamente. Hoje, esses esportes são indústrias bilionárias que atraem desde bancos tradicionais até grifes de alta costura.
Essa virada de chave tem nome e sobrenome. O “Efeito Medina” e o fenômeno Rayssa Leal não trouxeram apenas medalhas e títulos mundiais para o Brasil; eles reformataram a percepção do mercado. Eles transformaram o surfista e o skatista em ícones de sucesso, disciplina e, principalmente, em vitrines valiosas para o mercado de luxo.
O efeito Medina e Fadinha: como o surf e skate viraram populares
De rebeldes a ídolos nacionais: a mudança de imagem
A primeira grande transformação foi na imagem. O estereótipo do surfista descompromissado ou do skatista “vândalo” foi substituído pela imagem do atleta de alto rendimento. A profissionalização trouxe uma rotina de treinos intensa, alimentação regrada e saúde mental.
Gabriel Medina e Rayssa Leal personificam essa nova era. Eles são jovens,
A moda urbana: quando a roupa vale mais que a manobra
Talvez o impacto financeiro mais visível esteja no vestuário. O estilo dos skatistas e surfistas dominou a moda global. O que antes era chamado de roupa de rua, hoje é a base do guarda-roupa contemporâneo.
Grandes marcas de luxo europeias, que antes faziam apenas vestidos de gala e ternos, agora produzem tênis de skate, bonés e moletons que custam milhares de reais. A estética do skate virou símbolo de status. Não é preciso saber fazer uma manobra para usar a roupa; o consumidor compra a atitude e a jovialidade que o
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O turismo de ondas: hotéis e piscinas artificiais
No caso do surf, a revolução chegou ao mercado imobiliário e de turismo. A busca pela onda perfeita deixou de ser sinônimo de acampamento selvagem e passou a incluir conforto cinco estrelas.
Surgiram os resorts de surf de luxo, destinos paradisíacos com estrutura impecável para receber surfistas e suas famílias. Mais impressionante ainda é a febre das piscinas de ondas artificiais. Condomínios de alto padrão no interior do Brasil, longe do mar, agora vendem a “praia privativa” com ondas perfeitas como seu maior diferencial de valorização imobiliária. O surf virou uma âncora para vender imóveis de milhões de reais.
Mais que atletas, a construção de impérios pessoais
Por fim, a lição que fica é que esses ídolos deixaram de ser apenas competidores para se tornarem empresários de suas próprias imagens. Eles gerenciam carreiras que vão muito além do esporte.
Eles vendem um estilo de vida solar, saudável e vencedor que todos querem comprar. O surf e o skate deixaram as páginas policiais do passado para estampar as capas de revistas de negócios, provando que o esporte, quando bem gerido, é uma das ferramentas de marketing mais poderosas do mundo.