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Cultura gamer transforma videogame em estilo de vida

Popularização dos jogos em celulares, consoles e computadores amplia o público e consolida o universo gamer como fenômeno cultural

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Cultura gamer ultrapassa as telas e ganha espaço como fenômeno cultural e de comportamento.
Cultura gamer ultrapassa as telas e ganha espaço como fenômeno cultural e de comportamento. • SCORNICI DMITRII

Durante muito tempo, jogar videogame foi associado a estereótipos. A imagem de alguém isolado em frente à televisão, distante da vida social e pouco conectado às exigências do mercado de trabalho ajudou a construir uma visão limitada sobre quem estava do outro lado da tela.

Esse cenário mudou. O universo dos games deixou de ocupar apenas o espaço do entretenimento e passou a fazer parte da cultura, da comunicação, da tecnologia e até da rotina profissional de milhões de pessoas. Hoje, ser gamer não está necessariamente relacionado a uma idade, profissão ou perfil específico.

Um dos sinais dessa transformação está no tamanho desse público. Segundo o levantamento Global Video Game Consumer Segmentation, da DFC Intelligence, divulgado em 2020, o número de consumidores de videogames no mundo se aproximava de 3,1 bilhões de pessoas, o equivalente a cerca de 40% da população mundial.

O celular mudou a forma de jogar

A popularização dos smartphones foi determinante para ampliar o acesso aos jogos. Se antes o videogame estava concentrado principalmente em consoles e computadores, atualmente basta ter um celular para entrar nesse universo.

De acordo com a DFC Intelligence, quase metade dos consumidores de games utilizava exclusivamente dispositivos móveis, segmento apontado pela consultoria como o de crescimento mais rápido naquele momento. Os consoles, por outro lado, representavam uma parcela muito menor do público global.

Essa mudança também alterou a relação entre o jogo e a rotina. Partidas rápidas podem ocupar intervalos do dia, enquanto experiências mais longas continuam disponíveis para quem prefere dedicar horas ao entretenimento.

No celular, o jogador pode escolher entre diferentes gêneros, como futebol, corrida, estratégia, cartas, aventura e quebra-cabeças. A variedade torna o videogame menos dependente de um equipamento específico e aproxima a atividade de diferentes perfis de consumidores.

De passatempo a cultura

A expansão dos games também modificou a maneira como o público se relaciona com esse universo. Jogar deixou de ser apenas uma atividade individual e passou a envolver comunidades, competições, transmissões ao vivo, criadores de conteúdo e eventos.

A pesquisa Les Français et le jeu vidéo, realizada pela Médiamétrie para o Syndicat des Éditeurs de Logiciels de Loisirs (SELL), já mostrava em 2019 que mais de um terço dos internautas franceses jogava videogame diariamente. O estudo relacionava a frequência da prática à diversificação dos dispositivos e das opções disponíveis.

A lógica ajuda a explicar por que a cultura gamer ganhou espaço no cotidiano. O jogador não precisa mais permanecer diante de um console para ser considerado parte desse universo. O contato pode acontecer pelo smartphone durante um deslocamento, pelo computador no trabalho ou em casa, pelo console durante uma sessão mais longa ou ainda acompanhando conteúdos produzidos por outros jogadores.

Nesse processo, a figura do gamer também deixou de estar restrita a um estereótipo. O público passou a reunir pessoas com diferentes idades, profissões e interesses, unidas principalmente pelo consumo e pela identificação com os jogos.

Ásia concentra o maior mercado

A dimensão global dessa cultura fica ainda mais evidente quando os números são observados por região. O levantamento da DFC Intelligence apontou a Ásia como líder mundial entre os consumidores que gastavam dinheiro com jogos, com aproximadamente 1,42 bilhão de pessoas. A Europa aparecia na sequência, com 668 milhões, enquanto a América Latina reunia 383 milhões.

Os números mostram que a cultura gamer não é um fenômeno localizado. Ela atravessa fronteiras e se adapta às características de cada mercado.

Ao mesmo tempo, o crescimento dos jogos para celulares ajudou a reduzir barreiras de entrada. Enquanto consoles e computadores podem exigir investimentos maiores em equipamentos, o smartphone já faz parte da rotina de grande parcela da população.

Esse movimento contribuiu para transformar o videogame em uma linguagem cultural própria. Os jogos passaram a influenciar hábitos de consumo, comunidades digitais e formas de entretenimento, além de criar novos espaços para profissionais ligados à tecnologia, desenvolvimento, comunicação, criação de conteúdo e competições eletrônicas.

Mais do que uma maneira de passar o tempo, o videogame passou a representar uma forma de interação com a cultura digital. A evolução dos dispositivos e a ampliação do público fizeram com que o universo gamer deixasse de ser visto apenas como passatempo e passasse a ocupar um espaço cada vez mais significativo na vida cotidiana.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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