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Lifestyle e esporte ajudam a construir uma marca pessoal autêntica

Skate, bike e outras atividades revelam escolhas, valores e comportamentos que influenciam a forma como cada pessoa é percebida

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Do skate à bicicleta, diferentes modalidades esportivas podem se transformar em elementos de expressão e identidade.
Do skate à bicicleta, diferentes modalidades esportivas podem se transformar em elementos de expressão e identidade. • Magnific

Afinal, quem não tem lifestyle? Todo mundo tem um estilo de vida, mesmo que nunca tenha parado para defini-lo. Ele aparece nas escolhas cotidianas, nos hábitos, nos lugares frequentados, nas roupas, nos hobbies e, principalmente, na maneira como cada pessoa se relaciona com o mundo.

Essa combinação de atitudes e valores também contribui para a construção da chamada marca pessoal. É a partir dela que surgem identificações como fashionistas, geeks, descolados, boho, veganos, esportistas e tantas outras definições utilizadas para representar diferentes grupos e comportamentos.

O conceito também pode ser percebido no universo dos esportes. Quem pratica skate, por exemplo, costuma carregar elementos da cultura da modalidade para além das pistas e das ruas. O mesmo acontece com quem tem a bicicleta como parte importante da rotina. Roupa, equipamentos, lugares frequentados, amizades e até a maneira de ocupar a cidade passam a fazer parte dessa identidade.

O lifestyle aparece também na prática esportiva

O esporte não precisa ser apenas uma atividade física. Para muitas pessoas, ele também representa uma forma de expressão. É o que acontece especialmente em modalidades associadas a estilos de vida específicos, como skate, ciclismo, surf e corrida.

No skate, por exemplo, a relação com a modalidade historicamente ultrapassa a prática de manobras. O esporte está associado à música, à moda, à arte urbana e à convivência em determinados espaços. O skatista pode demonstrar essa identificação por meio do tênis escolhido, da camiseta, do shape, dos locais onde anda e até da maneira como se relaciona com outros praticantes.

Na bicicleta, essa construção também aparece de diferentes formas. Há quem se identifique com o ciclismo de estrada e valorize desempenho, equipamentos e longos percursos. Outros encontram no mountain bike uma combinação de aventura, natureza e contato com trilhas. Há ainda quem utilize a bike principalmente como meio de transporte e incorpore a mobilidade urbana à própria rotina.

Em todos esses casos, a atividade escolhida passa a comunicar alguma coisa sobre a pessoa. Isso não significa que todo skatista ou ciclista tenha de seguir determinado padrão. Pelo contrário. O lifestyle se torna mais interessante justamente quando existe espaço para personalidade e escolhas individuais.

Roupas e equipamentos também comunicam

O famoso dress code pode até determinar o que deve ser utilizado em determinados ambientes profissionais, mas ele não elimina a personalidade. Fora desses espaços, as escolhas pessoais voltam a aparecer com mais liberdade.

No esporte, essa relação fica ainda mais evidente. Roupas e equipamentos precisam cumprir funções práticas, como proteção, conforto e desempenho, mas também podem representar preferências pessoais.

Um ciclista pode escolher uma camisa mais discreta ou um uniforme cheio de cores e estampas. Pode preferir equipamentos minimalistas ou investir em acessórios tecnológicos. No skate, a escolha do tênis, da calça, da camiseta e até dos adesivos aplicados ao equipamento também ajuda a construir uma identidade visual.

O mesmo vale para quem acompanha uma modalidade sem necessariamente praticá-la. Torcer por determinada equipe, frequentar eventos esportivos ou consumir produtos relacionados a uma modalidade também pode fazer parte da construção desse lifestyle.

Por isso, estilo pessoal não significa simplesmente acompanhar tendências. A tendência pode servir como referência, mas a maneira como cada pessoa incorpora determinado elemento é que ajuda a construir sua identidade.

Celebridades, influenciadores e as chamadas tribos

A influência de celebridades, atletas, blogueiros e criadores de conteúdo também faz parte desse processo. É comum que uma pessoa encontre em outra alguma referência de roupa, comportamento, esporte ou atividade que gostaria de incorporar à própria rotina. No entanto, existe uma diferença importante entre inspiração e reprodução.

Uma pessoa pode admirar o estilo de um skatista profissional e adotar determinadas peças de roupa. Pode acompanhar um ciclista e começar a pedalar. Pode descobrir uma modalidade esportiva por meio das redes sociais e transformar aquela atividade em parte de sua rotina.

A partir daí, porém, a experiência passa a ser individual. É dessa identificação com determinados gostos, atividades e valores que surgem as chamadas “tribos”. Pessoas com interesses semelhantes tendem a se aproximar e compartilhar experiências. No skate e na bike, isso pode acontecer em pistas, lojas especializadas, grupos de pedal, competições, eventos e comunidades digitais.

Esses espaços fortalecem vínculos e ajudam a transformar uma atividade individual em uma experiência coletiva.

Autoconhecimento é essencial para construir uma imagem verdadeira

A marca pessoal não precisa ser criada artificialmente. Ela pode ser percebida a partir daquilo que já faz parte da rotina. Uma pessoa que gosta de pedalar aos fins de semana, por exemplo, não precisa transformar a bicicleta em uma espécie de personagem para demonstrar sua identificação com o esporte. O próprio hábito já comunica uma escolha.

Da mesma maneira, quem pratica skate pode transitar por diferentes ambientes sem abandonar sua personalidade. O estilo pode ser adaptado ao trabalho, a um evento social ou a uma ocasião mais formal sem deixar de existir. É justamente aí que entra o autoconhecimento. Entender o que faz sentido para si ajuda a construir uma imagem coerente com a própria realidade.

Consultores de imagem podem auxiliar nesse processo, especialmente quando existe um objetivo profissional específico. A proposta, porém, não deve ser apagar características pessoais, mas organizar elementos que já fazem parte da identidade para que eles sejam comunicados de maneira mais clara.

Quando o lifestyle vira marca pessoal

Em tempos de redes sociais, a distância entre vida pessoal e imagem pública ficou menor. Fotos de viagens, treinos, competições, restaurantes, roupas, hobbies e momentos de lazer ajudam a formar uma percepção sobre quem está por trás de um perfil. Isso pode ter impacto inclusive profissional.

Um profissional que demonstra interesse por esporte, por exemplo, pode acabar associado a valores como disciplina, dedicação ou busca por desempenho. Já alguém que mostra uma rotina ligada à bicicleta pode comunicar interesse por mobilidade, sustentabilidade ou vida ao ar livre. Esses significados, entretanto, dependem do contexto e não devem ser tratados como características universais.

O principal ponto é que a marca pessoal precisa ser sustentável. Se a imagem apresentada nas redes sociais não corresponde à vida real, a construção tende a perder credibilidade.

Por isso, mais do que escolher um rótulo, vale entender quais atividades, valores e comportamentos realmente fazem parte da própria identidade.

Skate, bike, corrida, musculação ou qualquer outra modalidade podem ser elementos dessa construção. O esporte passa a ser, então, muito mais do que exercício: pode representar encontros, escolhas, hábitos e uma maneira particular de enxergar o mundo.

No fim, o lifestyle não precisa ser inventado. Ele já está presente na maneira como cada pessoa vive. O desafio está em reconhecer esses elementos, combiná-los de forma coerente e permitir que a personalidade seja percebida sem transformar a própria vida em um personagem.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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