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Pimenta na alimentação: veja os benefícios e os cuidados no consumo

Rica em compostos bioativos, a pimenta pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas alguns benefícios atribuídos ao alimento ainda exigem cautela

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Da pimenta-de-cheiro à malagueta, diferentes variedades podem fazer parte de uma alimentação equilibrada
Da pimenta-de-cheiro à malagueta, diferentes variedades podem fazer parte de uma alimentação equilibrada • Magnific

A pimenta está presente na culinária brasileira em diferentes formatos, cores e níveis de ardência. Além de transformar o sabor e o aroma de pratos, algumas variedades do gênero Capsicum possuem compostos bioativos que despertam o interesse da ciência, principalmente a capsaicina e outros capsaicinoides.

Entre as variedades encontradas no Brasil estão jalapeño, malagueta, dedo-de-moça, cumari-do-Pará, pimenta-de-cheiro, pimenta-de-bode, murupi, biquinho e cambuci. A intensidade da ardência varia de acordo com a variedade e a concentração de capsaicinoides.

Mas é preciso separar o que já possui respaldo científico do que ainda é tratado como hipótese. A pimenta pode contribuir para uma alimentação saudável, mas não deve ser considerada um alimento milagroso capaz de provocar emagrecimento ou prevenir doenças isoladamente.

Capsaicina é o principal composto associado à ardência

A capsaicina é a substância responsável pela sensação de ardor característica de muitas pimentas. Ela pertence ao grupo dos capsaicinoides e é um dos compostos mais estudados quando o assunto são os possíveis efeitos do alimento no organismo.

Uma revisão abrangente publicada na revista científica Molecular Nutrition & Food Research analisou 11 revisões sistemáticas e metanálises, reunindo 27 resultados sobre o consumo de pimentas e alimentos picantes. O estudo encontrou associações com diferentes desfechos de saúde, mas também concluiu que as evidências ainda são inconsistentes para alguns benefícios atribuídos à capsaicina.

Isso é especialmente importante quando o assunto é metabolismo. A ideia de que comer pimenta acelera o metabolismo e, consequentemente, provoca emagrecimento ganhou popularidade, mas a relação não é tão simples. O consumo de pimenta pode estar associado a alterações no gasto energético e em mecanismos metabólicos, porém isso não significa que acrescentar pimenta à dieta, sozinho, seja suficiente para perder peso.

A perda de peso depende principalmente do conjunto da alimentação, do gasto energético, da atividade física, do sono e de outros fatores individuais.

Vitaminas e antioxidantes também fazem parte da composição

Além da capsaicina, algumas pimentas fornecem vitaminas e compostos antioxidantes. A quantidade varia conforme a espécie, o estágio de maturação e a forma de consumo.

A vitamina C é um dos nutrientes encontrados em diversas variedades de pimentas e participa de funções importantes no organismo. O nutriente contribui para o funcionamento adequado do sistema imunológico e também está envolvido na formação de colágeno e na absorção de ferro.

No entanto, afirmar que a pimenta “aumenta a imunidade” de forma isolada simplifica uma relação muito mais ampla. O funcionamento adequado do sistema imunológico depende de uma alimentação variada e da ingestão suficiente de diferentes nutrientes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que uma alimentação saudável deve priorizar diversidade, equilíbrio, moderação e adequação nutricional. A recomendação atual para pessoas com mais de 10 anos é consumir pelo menos 400 gramas de frutas e vegetais por dia, dentro de uma alimentação variada.

Nesse contexto, a pimenta pode ocupar um lugar interessante na alimentação porque acrescenta sabor e pode ajudar a reduzir a necessidade de recorrer a grandes quantidades de sal ou outros ingredientes para tornar a comida mais atrativa.

Quanto mais ardida, melhor para o corpo?

Essa é uma das ideias que precisam ser relativizadas. A ardência está relacionada principalmente à concentração de capsaicinoides, mas isso não significa que a pimenta mais ardida seja automaticamente a mais saudável.

Cada variedade apresenta uma composição nutricional própria. Uma pimenta suave também pode fornecer vitaminas e compostos bioativos, além de cumprir uma função importante na alimentação: aumentar a variedade de sabores e estimular o consumo de preparações feitas com alimentos in natura ou minimamente processados.

A revisão científica publicada em Molecular Nutrition & Food Research também reforça a necessidade de cautela ao interpretar possíveis benefícios do consumo de pimentas. Os autores observaram que os resultados variam de acordo com população, quantidade consumida e contexto alimentar, e que algumas associações ainda não permitem estabelecer uma relação de causa e efeito.

Por isso, não é adequado afirmar que pimenta previne câncer, reduz colesterol ou provoca emagrecimento por si só. Existem mecanismos biológicos e resultados experimentais que justificam o interesse científico pela capsaicina, mas isso não equivale a comprovar benefícios clínicos para todas as pessoas.

Também vale atenção para quem apresenta sensibilidade a alimentos muito picantes. Quantidades elevadas podem provocar desconforto gastrointestinal em algumas pessoas. A tolerância individual deve ser considerada, especialmente quando o consumo causa sintomas.

No dia a dia, a melhor forma de aproveitar a pimenta é tratá-la como parte de uma alimentação diversificada. Jalapeño, malagueta, dedo-de-moça, biquinho e outras variedades podem ser usadas em molhos, carnes, legumes, feijão e diferentes preparações.

A ciência já reconhece que as pimentas possuem compostos de interesse nutricional, especialmente os capsaicinoides, além de vitaminas e antioxidantes. Ao mesmo tempo, os estudos mostram que ainda não é possível transformar todos os benefícios atribuídos ao alimento em certezas.

Mais do que apostar em um único ingrediente, a recomendação da OMS é construir uma alimentação baseada na diversidade de alimentos, com presença regular de vegetais, frutas, leguminosas, grãos integrais e outras fontes de nutrientes.

Assim, a pimenta pode ser uma aliada do sabor e integrar uma dieta equilibrada, mas seus possíveis efeitos sobre metabolismo, colesterol e prevenção de doenças devem ser interpretados dentro de um contexto maior. O melhor benefício pode estar justamente em seu papel mais simples: tornar a comida mais variada e saborosa sem precisar depender de grandes quantidades de sal, açúcar ou gorduras.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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