Corridas de gravel crescem e atraem ciclistas de várias modalidades
Calendário recorde reúne provas em 32 países e chega à América do Sul

Estradas de terra que antes faziam parte principalmente de aventuras de fim de semana agora recebem pelotões, cronômetros e ciclistas em busca de classificação para um campeonato mundial. O gravel, modalidade disputada em percursos que misturam cascalho, terra e diferentes tipos de piso, consolidou um calendário internacional que atravessa todos os continentes.
A dimensão pode ser medida pelo circuito organizado pela União Ciclística Internacional (UCI). A Gravel World Series chegou a 47 eventos em 32 países em 2026, recorde desde a criação da competição. O calendário recebeu 16 novas provas e inclui etapas na Argentina, Colômbia, Chile, México e Canadá. Os classificados ao longo da temporada poderão disputar o Mundial em Nannup, na Austrália, nos dias 10 e 11 de outubro.
Como funcionam as corridas de gravel?
Não existe um único tipo de percurso. Uma competição pode combinar estradas rurais rápidas, cascalho, subidas, descidas e setores tecnicamente mais difíceis. Essa variedade é parte da identidade da modalidade e ajuda a diferenciá-la das tradicionais provas realizadas exclusivamente no asfalto.
O sistema internacional também mistura profissionais e amadores. Na série da UCI, os ciclistas competem dentro de suas categorias e os 25% mais bem colocados de cada faixa etária podem conquistar classificação para o Campeonato Mundial.
A possibilidade de participar de uma mesma estrutura competitiva ajuda a explicar uma característica particular do gravel: ele não depende exclusivamente do ciclismo profissional.
O crescimento trouxe provas para lugares bastante diferentes. A temporada começou na África do Sul, passou por Europa e América e ainda terá eventos na Ásia e Oceania. No calendário sul-americano aparecem competições na Argentina, Colômbia e Chile.
O Brasil também aparece na temporada internacional. A Gravel Brazil, realizada em Camboriú, Santa Catarina, em 8 de março, integrou a série classificatória de 2026.
Ciclistas de estrada e MTB também entram no gravel
Uma das particularidades das competições está justamente em quem aparece na linha de largada.
Ciclistas vindos do mountain bike, estrada e ciclocross encontram características familiares nos percursos. O belga Wout van Aert, por exemplo, campeão mundial de ciclocross e vencedor de importantes provas de estrada, disputou em agosto seu primeiro Campeonato Belga de Gravel. A competição reuniu mais de 1.300 participantes.
Nos Estados Unidos, essa aproximação entre modalidades aparece de forma ainda mais clara na Life Time Grand Prix. A série de 2026 reúne três corridas de gravel e três de mountain bike, obrigando os atletas a competir nos dois formatos ao longo da temporada.
Essa circulação de ciclistas também influencia os equipamentos. Quem disputa uma prova rápida pode procurar uma configuração diferente daquela utilizada por alguém interessado em viajar carregando bolsas e equipamentos.
O resultado é uma modalidade que abriga perfis bastante distintos: amadores procurando completar grandes distâncias, atletas especializados e nomes vindos de outras áreas do ciclismo.
Gravel já tem campeonato mundial próprio
A institucionalização aconteceu rapidamente. A UCI realizou o primeiro Campeonato Mundial de Gravel em 2022, na Itália. Em 2026, a competição chega à quinta edição.
A UCI mantém um calendário internacional exclusivo de gravel, separado das agendas de estrada, mountain bike, BMX e ciclocross. O calendário permite acompanhar provas classificatórias e o Mundial da modalidade.
A expansão não significa que o gravel tenha alcançado a dimensão histórica do ciclismo de estrada ou do mountain bike. Os dados disponíveis não sustentam essa comparação.
O que os números confirmam é uma evolução concreta da estrutura competitiva. Uma modalidade que há poucos anos ainda buscava espaço próprio chega a 2026 com campeonato mundial, circuito classificatório, provas espalhadas por 32 países e participação de atletas vindos de diferentes áreas do ciclismo.
Para quem ainda associa gravel apenas a pedais recreativos por estradas de terra, as corridas mostram uma segunda face da modalidade: a aventura também virou competição.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



