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Geração Z troca excesso de tela por encontros na vida real

Clubes, atividades coletivas e eventos presenciais ganham espaço na rotina

Geração Z
Geração Z troca excesso de tela por encontros na vida real • Ia

Depois de crescer conectada a redes sociais, aplicativos e conversas mediadas pelo celular, parte da Geração Z está buscando uma forma diferente de ocupar o tempo livre. Clubes de corrida, encontros de leitura, atividades manuais, jogos e eventos de bairro aparecem entre as experiências que levam relações iniciadas ou descobertas na internet para espaços físicos.

A mudança ganhou nas redes o nome de community-maxxing. A expressão descreve a tentativa deliberada de criar vínculos e participar de comunidades fora da tela. A tendência não significa abandonar a tecnologia. Em muitos casos, TikTok, Instagram e plataformas de eventos continuam sendo justamente os lugares onde essas atividades são descobertas.

Dados recentes ajudam a dimensionar esse movimento. Uma pesquisa da Eventbrite com 4.051 pessoas de 18 a 35 anos nos Estados Unidos e no Reino Unido apontou que 79% pretendiam participar de mais eventos em 2026. Entre os integrantes da Geração Z ouvidos, 74% consideravam as experiências presenciais mais importantes do que as digitais, enquanto 46% afirmavam estar limitando o tempo diante das telas.

O que está levando a Geração Z de volta aos encontros presenciais?

A procura não está concentrada apenas em festas ou grandes eventos. Atividades organizadas em torno de um interesse específico ganharam importância porque oferecem um motivo para sair de casa e, de quebra, facilitam a aproximação entre desconhecidos.

Um levantamento anterior da Eventbrite encontrou esse comportamento entre pessoas de 18 a 35 anos: 95% demonstraram interesse em levar para eventos presenciais interesses e comunidades que conheceram na internet. Para 45%, o sentimento de pertencimento e identidade estava entre os atrativos dessas comunidades.

Isso ajuda a explicar por que atividades aparentemente simples passaram a exercer uma função social. Uma pessoa pode chegar a um clube de corrida para praticar esporte, participar de uma noite de jogos porque gosta da atividade ou frequentar um clube de leitura por causa dos livros. A conversa deixa de ser a única finalidade do encontro e passa a acontecer em torno de algo que os participantes já compartilham.

A Eventbrite chama essa forma de convivência de soft socializing: situações nas quais existe espaço para conhecer pessoas sem transformar a socialização em uma obrigação. Em seu levantamento para 2026, 58% dos jovens adultos consultados disseram preferir situações nas quais socializar não seja o único objetivo.

A procura já aparece nos eventos oferecidos. Dados da plataforma comparando o primeiro semestre de 2025 ao mesmo período de 2026 mostram crescimento de 403% no número de noites de trivia criadas explicitamente para facilitar encontros e de 235% nas reuniões em torno do mahjong. A presença de participantes nesses eventos também aumentou. Os números se referem à plataforma nos Estados Unidos e não podem ser generalizados para toda a Geração Z, mas mostram uma mudança concreta no tipo de experiência procurada.

A internet também pode levar as pessoas para fora dela

A relação entre tecnologia e convivência é mais complexa do que simplesmente substituir celular por contato presencial. O relatório sobre conexão social do U.S. Surgeon General aponta que ambientes digitais podem tanto favorecer relacionamentos quanto prejudicá-los, dependendo da maneira como são utilizados.

A tecnologia permite manter contato com amigos e familiares, encontrar grupos e criar comunidades que dificilmente se formariam sem a internet. O problema aparece quando o uso digital desloca interações presenciais, captura a atenção ou interfere na qualidade das conversas.

Essa distinção é importante para entender o comportamento atual. A própria Geração Z pode descobrir um clube pelo TikTok, confirmar presença por um aplicativo e continuar conversando com o grupo pelo celular depois do encontro. O digital deixa de funcionar exclusivamente como destino da interação e também passa a servir como caminho para chegar a uma experiência presencial.

Há uma razão mais profunda para essa procura por vínculos. Dados reunidos pelo governo dos Estados Unidos mostram que, entre pessoas de 15 a 24 anos, o tempo diário passado presencialmente com amigos caiu de aproximadamente 150 minutos em 2003 para 40 minutos em 2020. A pandemia acelerou uma redução que já vinha acontecendo antes dela.

Encontrar pessoas por interesses pode facilitar novas amizades

A saída encontrada por parte dessa geração parece estar menos ligada a grandes círculos sociais e mais à construção de pequenos grupos em torno de afinidades.

Uma análise publicada pela YPulse em agosto de 2026 identificou que escola e faculdade ainda têm papel importante na formação das amizades da Geração Z. Depois que essa estrutura desaparece, porém, adultos dessa geração relatam maior dificuldade para conhecer pessoas e preservar amizades. Clubes esportivos, grupos de leitura e encontros entre desconhecidos aparecem como algumas das alternativas.

Isso também ajuda a explicar por que interesses de nicho ganharam força como ponto de encontro. Em vez de entrar em um ambiente apenas para conversar com desconhecidos, a pessoa chega sabendo que existe pelo menos um assunto em comum.

O fenômeno chamado de community-maxxing pode ter surgido embalado pela linguagem das redes, mas o comportamento que descreve é bastante concreto: procurar lugares, atividades e rotinas que aumentem as oportunidades de estar fisicamente com outras pessoas.

A tela continua presente. A diferença está no que acontece depois dela. Para uma parcela da Geração Z, encontrar uma comunidade online começa a ser apenas a primeira etapa para voltar a encontrar pessoas no mundo real.

 

 

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