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Chá de salsaparrilha ganha fama por seus efeitos, mas exige cuidados

Conhecida pelo uso tradicional da raiz, planta é associada a efeitos diuréticos e anti-inflamatórios, mas evidências em humanos ainda são limitadas

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Salsaparrilha é associada tradicionalmente ao efeito diurético, mas não há comprovação de que o chá provoque emagrecimento.
Salsaparrilha é associada tradicionalmente ao efeito diurético, mas não há comprovação de que o chá provoque emagrecimento. • Magnific

A salsaparrilha é uma planta conhecida há séculos na medicina tradicional de diferentes regiões das Américas e também da Ásia. Seu nome é associado a espécies do gênero Smilax, um grupo que reúne diversas plantas. No Brasil, uma das espécies conhecidas popularmente como salsaparrilha é a Smilax brasiliensis, encontrada no Cerrado e também chamada de japecanga.

Essa diversidade é importante porque “salsaparrilha” não identifica necessariamente uma única planta. Diferentes espécies do gênero Smilax recebem o mesmo nome popular e podem apresentar composição química e usos tradicionais distintos. Por isso, não é adequado atribuir todos os efeitos descritos para uma espécie a qualquer produto vendido como salsaparrilha.

A parte mais utilizada tradicionalmente é a raiz ou estrutura subterrânea. Preparações feitas a partir dela aparecem na medicina popular como diuréticos, depurativos e auxiliares em problemas inflamatórios. O uso, porém, precisa ser visto com cautela, principalmente quando a intenção é tratar doenças.

Uma revisão publicada em 2022 na revista Drug Design, Development and Therapy reuniu informações sobre a Smilax glabra, espécie utilizada tradicionalmente na medicina chinesa. Os pesquisadores identificaram mais de 200 compostos químicos na planta e encontraram estudos experimentais relacionados a atividades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas e cardiovasculares. 

Ao mesmo tempo, os autores destacaram a falta de estudos clínicos e de informações suficientes sobre segurança e eficácia em seres humanos.

Para que a salsaparrilha é usada tradicionalmente

O uso medicinal da salsaparrilha está ligado principalmente às raízes. Na medicina tradicional, preparações da planta foram utilizadas para diferentes finalidades, incluindo queixas relacionadas à pele, inflamações, dores articulares e problemas urinários.

A associação com o efeito diurético é uma das mais conhecidas. A ideia é que a planta aumentaria a eliminação de urina, o que explica seu uso popular contra retenção de líquidos. Entretanto, isso não significa que a salsaparrilha tenha efeito comprovado para emagrecimento.

A redução temporária de líquidos não corresponde à perda de gordura corporal. Por isso, chás ou suplementos de salsaparrilha não devem ser apresentados como estratégia para perder peso.

Também existem registros tradicionais de utilização da planta em problemas de pele e doenças inflamatórias. Estudos laboratoriais e em animais investigam mecanismos que poderiam explicar parte desses efeitos, mas resultados experimentais não equivalem à comprovação de eficácia em pessoas.

No Brasil, a pesquisa também já avaliou espécies locais. Um estudo publicado na revista Food Research International analisou extratos das raízes de Smilax brasiliensis e Herreria salsaparrilha em camundongos submetidos a uma dieta rica em carboidratos refinados. 

Os pesquisadores observaram efeitos sobre parâmetros relacionados a glicose e lipídios, mas os resultados foram obtidos em animais e não permitem afirmar que o chá produza o mesmo efeito em seres humanos.

O que existe no chá da raiz

A salsaparrilha possui diferentes compostos bioativos, incluindo saponinas, flavonoides e outros componentes fenólicos. Essas substâncias são investigadas por possíveis propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Uma pesquisa publicada em 2023 analisou a composição química de Smilax brasiliensis, espécie nativa do Cerrado brasileiro e conhecida popularmente como salsaparrilha ou japecanga. O trabalho identificou compostos fenólicos e flavonoides nos extratos avaliados e investigou seu potencial antioxidante.

Esse tipo de estudo ajuda a explicar por que a planta desperta interesse científico, mas também mostra a diferença entre potencial farmacológico e benefício comprovado para quem consome o chá.

Outro ponto importante é a identificação da espécie. Pesquisadores brasileiros já alertaram que diferentes espécies de Smilax podem ser comercializadas com o mesmo nome popular. Um estudo sobre Smilax brasiliensis destacou que a planta é vendida em farmácias brasileiras como salsaparrilha, mas sua origem e eficácia não estavam necessariamente submetidas a controle de qualidade adequado.

Por isso, comprar raízes de origem desconhecida ou preparar a planta sem saber exatamente qual espécie está sendo utilizada pode representar um risco desnecessário.

Chá de salsaparrilha exige atenção

O chá tradicionalmente preparado com a raiz é uma das formas mais conhecidas de utilização da planta. No entanto, não existe uma dose universal que possa ser recomendada para todas as espécies chamadas de salsaparrilha.

A concentração dos compostos pode variar de acordo com a espécie, parte da planta utilizada, origem, processamento e forma de preparação. Por esse motivo, uma receita popular não deve ser tratada como uma prescrição medicinal.

A mesma cautela vale para cápsulas, extratos, tinturas e outros produtos concentrados. Quanto maior a concentração de determinados compostos, maior pode ser a diferença em relação ao consumo tradicional da planta.

Também não é adequado usar salsaparrilha para substituir medicamentos prescritos ou tentar tratar doenças como sífilis, gonorreia, artrite, gota ou problemas no fígado apenas com a planta. Registros históricos de uso não significam que ela seja capaz de tratar essas condições.

A literatura científica disponível reforça justamente essa distinção. Embora espécies do gênero Smilax apresentem compostos promissores e atividades observadas em estudos laboratoriais e pré-clínicos, ainda faltam evidências clínicas suficientes para transformar muitos desses usos tradicionais em recomendações terapêuticas.

Assim, a salsaparrilha continua sendo uma planta de interesse tanto pela história de seu uso quanto pela diversidade de compostos encontrados em suas espécies. O chá da raiz pode fazer parte da tradição de uso de plantas medicinais, mas seu consumo exige atenção à identificação correta da planta, à procedência e à quantidade utilizada.

Para quem pretende usar salsaparrilha com finalidade medicinal, especialmente de forma frequente ou em combinação com medicamentos, a orientação de um profissional de saúde é a opção mais segura. O fato de uma planta ser natural não significa que esteja livre de efeitos adversos ou interações.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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