5 skatistas que ajudaram a transformar o esporte em fenômeno mundial
Nomes de diferentes gerações contribuíram para levar a modalidade das ruas aos maiores palcos esportivos

O skate deixou de ser visto apenas como uma atividade ligada à cultura urbana e passou a ocupar um espaço de destaque no esporte mundial. A modalidade estreou nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, voltou a fazer parte do programa em Paris 2024 e estará novamente em Los Angeles 2028. A evolução ajuda a explicar por que atletas que construíram suas carreiras antes da era olímpica continuam sendo referências para novas gerações.
Segundo a World Skate, entidade internacional responsável pela modalidade, o skate reúne mais de 85 milhões de praticantes no mundo. A organização também estima que 63% dos participantes estejam ligados ao street e 37% ao park. Os números mostram a dimensão alcançada por um esporte que nasceu associado à cultura de rua e que hoje combina competição, criatividade, técnica e estilo.
Foi nesse processo de transformação que alguns nomes ganharam papel fundamental. Entre eles estão os cinco skatistas escolhidos pelo brasileiro Kelvin Hoefler, medalhista olímpico e integrante da seleção brasileira: Bob Burnquist, Tony Hawk, Fábio Cristiano, Sandro Dias e Ryan Sheckler.
Bob Burnquist ajudou a colocar o Brasil no mapa
É difícil contar a história do skate brasileiro sem passar por Bob Burnquist. Nascido no Rio de Janeiro e criado em São Paulo, o skatista construiu uma carreira marcada pela inovação e pela busca por novas possibilidades dentro das grandes rampas.
Burnquist se tornou um dos principais nomes da história da Megarrampa e acumulou resultados expressivos nos X Games. Em 2014, por exemplo, conquistou seu oitavo ouro na competição de Big Air, chegando a 29 medalhas nos X Games naquele momento, sendo 14 de ouro.
Sua trajetória também foi marcada por manobras que ampliaram os limites do skate vertical. Em 2010, ele foi o primeiro a realizar um 900º na Megarrampa, segundo registros de sua carreira.
Para Kelvin Hoefler, a importância de Burnquist vai além dos títulos. O skatista foi escolhido em primeiro lugar pelo brasileiro justamente por ter ajudado a abrir espaço internacional para o skate produzido no Brasil.
Tony Hawk transformou o skate em fenômeno cultural
Outro nome praticamente indissociável da história do skate é o norte-americano Tony Hawk. Especialista no vertical, Hawk ajudou a popularizar a modalidade em diferentes partes do mundo e se tornou uma das figuras mais conhecidas da cultura dos esportes radicais.
Um dos momentos mais importantes de sua carreira aconteceu nos X Games de 1999, quando acertou o 900º em uma competição. A manobra, que consiste em duas voltas e meia no ar, se transformou em um dos momentos mais emblemáticos da história do esporte.
Hawk também esteve à frente da Birdhouse Skateboards, empresa criada em 1992, e seu nome passou a alcançar um público ainda maior por meio da série de videogames Tony Hawk's. Dessa maneira, sua influência ultrapassou as pistas e ajudou a apresentar o skate a pessoas que sequer praticavam a modalidade.
Não por acaso, Kelvin Hoefler colocou Hawk na segunda posição de sua seleção.
Fábio Cristiano representa a força do skate brasileiro
Fábio Cristiano é outro brasileiro lembrado por Hoefler. Conhecido como Chupeta, ele construiu sua trajetória principalmente no street e pertence a uma geração importante para o desenvolvimento do skate brasileiro.
Antes de o skate ganhar a visibilidade proporcionada pelos Jogos Olímpicos, atletas como Fábio Cristiano ajudaram a consolidar uma identidade própria para a modalidade no país. Em 2002, por exemplo, ele terminou na segunda colocação de uma etapa do Circuito Brasileiro profissional de street.
Anos depois, seu nome continuava associado à cena profissional. Resultados registrados pela Confederação Brasileira de Skate mostram sua participação em competições nacionais ainda em 2023.
Na escolha de Kelvin Hoefler, Fábio aparece como terceiro colocado. O skatista destacou justamente sua importância como representante de uma geração considerada fundamental para a construção do skate brasileiro.
Sandro Dias levou o vertical a outro patamar
Conhecido mundialmente como Mineirinho, Sandro Dias começou a andar de skate ainda criança e se tornou um dos maiores representantes brasileiros do vertical. O paulista conquistou seis títulos mundiais e uma medalha de ouro nos X Games de Los Angeles, em 2006. Também ficou marcado pela execução do 900º durante uma competição, uma manobra que entrou para a história do esporte.
Sua longevidade também ajuda a explicar a relevância do atleta. Em 2025, já com mais de três décadas de carreira, Sandro Dias estabeleceu dois recordes mundiais ao descer a maior rampa de skate do mundo, no Rio Grande do Sul.
Para Kelvin Hoefler, o brasileiro foi fundamental para a construção da história do vertical e aparece em quarto lugar na seleção.
Ryan Sheckler marcou uma nova geração
O norte-americano Ryan Sheckler representa uma geração que chegou muito cedo ao alto rendimento. Em 2003, aos 13 anos, ele conquistou o ouro no Skateboard Park dos X Games e se tornou o mais jovem campeão da história da competição naquele momento.
A conquista foi apenas o início de uma sequência de resultados. No mesmo ano, Sheckler venceu competições importantes como Gravity Games, Slam City Jam, Vans Triple Crown e World Cup of Skateboarding.
Seu sucesso também ajudou a mostrar como o skate poderia formar atletas profissionais ainda muito jovens. Essa característica se tornou ainda mais evidente quando a modalidade chegou aos Jogos Olímpicos. Em Tóquio, por exemplo, três dos quatro ouros foram conquistados por skatistas japoneses e várias medalhas ficaram com adolescentes.
Do lifestyle aos Jogos Olímpicos
A história desses cinco atletas ajuda a entender a transformação do skate. Bob Burnquist, Tony Hawk, Fábio Cristiano, Sandro Dias e Ryan Sheckler pertencem a gerações diferentes, mas têm em comum a contribuição para a expansão da modalidade.
O skate, que nasceu ligado à cultura urbana, ganhou espaço em grandes eventos internacionais e passou a integrar o programa olímpico. Depois da estreia em Tóquio e da segunda participação em Paris, a modalidade está confirmada para Los Angeles 2028.
Mais do que uma mudança de cenário, a trajetória mostra como o esporte conseguiu preservar sua identidade enquanto alcançava novos públicos.
E, para as próximas gerações, nomes como esses continuam servindo de referência para quem vê no skate muito mais do que uma sequência de manobras: uma combinação de esporte, criatividade, personalidade e cultura.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



