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Conheça os principais tipos de restrições alimentares

Entender as diferentes formas de restrição alimentar permite que bares e restaurantes criem cardápios mais diversos

Conheça os principais tipos de restrições alimentares

Restrições alimentares em destaque

O tema deixou de ser exceção e faz parte da rotina de milhões de consumidores no Brasil e no mundo. Para os estabelecimentos, isso significa repensar cardápios, treinar equipes e adotar medidas de segurança que transmitam confiança. Estudos internacionais apontam que oito alimentos concentram 90% das reações registradas: leite, ovos, glúten, amendoim, castanhas, soja, peixe e crustáceos. Entre eles, o camarão aparece como um dos itens que mais provocam reações graves.

A consultora Luara Balbi, da Inclua CS, lembra que restrição alimentar deve ser compreendida de forma ampla: “É qualquer necessidade ou escolha, física, emocional, social ou espiritual, que leva uma pessoa a não consumir determinados alimentos”. A partir dessa visão, é possível dividir as restrições em quatro grupos principais, cada um com impacto direto na experiência alimentar.

Conheça os principais tipos de restrições alimentares

Alergias exigem máxima atenção

As alergias acontecem quando o sistema imunológico confunde uma proteína alimentar com ameaça. Pequenas quantidades já podem provocar sintomas como coceira, inchaço ou até anafilaxia. Para bares e restaurantes, isso significa adotar medidas rigorosas na manipulação e ser transparente na comunicação.

A nutricionista Dargiane Fagundes, da Seatech Consultoria, reforça: “É essencial informar com clareza os alérgenos presentes nos pratos e listar ingredientes principais. Essa simples atitude transmite segurança e evita riscos sérios”. Luara Balbi acrescenta que além de reduzir riscos jurídicos, a transparência evita prejuízos de reputação e marketing negativo.

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Intolerâncias e seus desafios

Diferente das alergias, as intolerâncias não envolvem resposta imunológica, mas sim dificuldades digestivas. Elas resultam da ausência ou deficiência de enzimas responsáveis pela quebra de moléculas, o que provoca sintomas como cólicas, gases e diarreia. A intolerância à lactose é a mais conhecida, mas há casos relacionados à frutose e a sulfitos.

De acordo com o Ministério da Saúde, as intolerâncias se tornam mais comuns com o avanço da idade. Embora não representem risco imediato de vida, comprometem a experiência de quem consome fora de casa. “As alergias exigem exclusão total do alimento, enquanto as intolerâncias pedem apenas moderação e preparo adequado”, explica Dargiane Fagundes.

Condições médicas e distúrbios

Existem restrições ligadas a doenças que demandam adaptações permanentes. A doença celíaca é um exemplo, pois o glúten desencadeia uma reação autoimune que danifica o intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes e podendo gerar complicações como anemia. Já a Síndrome do Intestino Irritável, apesar de não apresentar alterações estruturais, provoca sintomas como dores abdominais, diarreia e constipação.

Essas situações mostram que, em muitos casos, não se trata de escolha, mas de necessidade clínica. Compreender esses contextos é fundamental para ampliar a inclusão e oferecer uma experiência positiva também a esse público.

Escolhas pessoais e culturais

Além das condições médicas, restrições podem estar ligadas a crenças, tradições ou preferências individuais. Há quem evite peixes por gosto, enquanto outros seguem regras alimentares como o kosher do judaísmo ou o halal do islamismo. No hinduísmo e no jainismo, a recomendação é evitar carnes e, em alguns casos, até raízes como batata e cebola.

O vegetarianismo e o veganismo também crescem em todo o país. A Sociedade Vegetariana Brasileira aponta que quase metade dos brasileiros já reduziu o consumo de carne, o que aumenta a procura por pratos à base de vegetais, como hambúrgueres de grão-de-bico ou cogumelos. Para a nutricionista Dargiane Fagundes, esse movimento também é influenciado pelas redes sociais e pela busca por saúde e bem-estar, mesmo sem diagnósticos médicos.

Como bares e restaurantes podem se adaptar

Atender clientes com restrições alimentares deixou de ser diferencial e passou a ser requisito para conquistar e manter público. Cardápios inclusivos são cada vez mais valorizados e impactam diretamente na fidelização. Algumas medidas práticas podem ser adotadas:

  • Indicar nos cardápios, por meio de ícones, opções sem lactose (SL) ou veganas (VG).
  • Treinar equipes para identificar ingredientes e orientar clientes.
  • Separar áreas e utensílios para evitar contaminação cruzada.
  • Utilizar substitutos que mantenham sabor e textura próximos ao original.
  • Disponibilizar cardápios digitais que permitam filtros de acordo com a restrição.

Para Luara Balbi, adotar essas medidas é um gesto de acolhimento: “Quando um bar ou restaurante se adapta, não apenas reduz riscos, mas abre espaço para convivência. A experiência positiva de um cliente com restrição alimentar se transforma em propaganda espontânea e poderosa”.

Dargiane Fagundes complementa: “Segurança pode caminhar junto da criatividade. Criar pratos adaptáveis, permitir substituições e valorizar ingredientes versáteis tornam o cardápio inclusivo sem perder identidade”.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Editor do Jornal Lagoa News. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.